10 de julho de 2026
Bairros

Candidatos confirmam tendência ao ‘bairrismo’

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Muitos dos líderes comunitários

que se candidataram

ao cargo de vereador no último

pleito e que foram ouvidos

pelo JC nos Bairros confirmam

a tendência ao “bairrismo”.

Ou seja, se tivessem sido

eleitos, lutariam com mais

ênfase pelos problemas dos

bairros em que moram.

“Eu deixei claro que não

vou assumir compromisso

com a cidade inteira. Eu iria

priorizar a região noroeste,

morando na região noroeste

da cidade. Eu queria trabalhar

de modo diferente. Sem demagogia”,

frisa Vivaldo Pereira

Martins, ex-presidente da Associação

de Moradores do Parque

Santa Edwirges.

Ele afirma que cerca de 20

bairros fazem parte da região

pela qual trabalharia como vereador.

Entre eles, estão Jardim

Bela Vista, Núcleo Fortunato

Rocha Lima, Parque Jaraguá,

Jardim Andorfato, Jardim

Vânia Maria, Vila Garcia,

Jardim TV, Jardim Progresso

e Parque União.

“Eu falei que sou da região

noroeste e quero assumir

um compromisso com a região

noroeste. Não adianta eu

falar que vou fazer algo pelo

Jardim Tangarás”, reforça.

Martins acredita que estaria

preparado para assumir o

cargo de vereador por conhecer

a realidade de todos os

bairros da região em que mora.

“A gente trabalha pela população.

Participei de muitas

realizações aqui no Parque

Santa Edwirges, com três

mandatos como presidente da

associação de moradores”, enfatiza.

Nair Rossi de Carvalho é

presidente da Associação de

Moradores do Núcleo Nova

Esperança há um ano e se candidatou

ao cargo de vereadora.

“Me fizeram o convite e eu

aceitei pela péssima situação

em que se encontra a cidade.

Eu me vi na obrigação de ajudar.

E o partido precisava de

mulheres”, explica.

Ela sonha em melhorar a situação

do bairro em que mora,

que tem diversas carências.

Uma de suas reivindicações

é reformar o centro comunitário

do Nova Esperança,

que está abandonado.

“Se eu fosse eleita, acho

que conseguiria muita coisa

pelo bairro porque a gente sabe

o que está faltando. Eu lutaria

por coisas de interesse da

população como um todo,

mas também pelo nosso bairro,

que está bem abandonado”,

afirma.

Nair conta que, durante a

campanha, teve a oportunidade

de visitar outros bairros da

cidade que precisam de investimentos,

como o Jardim Eldorado,

o Jardim Andorfato e o

Núcleo Edson Francisco da

Silva (Bauru 16).

“Tem muito buraco, muita

rua de terra, muitas guias sem

asfalto. Eu gostaria de poder

fazer alguma coisa”, destaca.

Embora não tenha sido

eleita - recebeu 134 votos -,

ela afirma que irá se candidatar

novamente nas próximas

eleições. “Não desisti. Daqui

a quatro anos eu volto. Não fiquei

triste não”, diz.

Pela segunda vez, a Vila

Dutra também teve sua candidata

nas últimas eleições.

Vera Pascoalino foi presidente

da associação de moradores

do bairro de 1987 a 2001

e afirma que gostaria de continuar

trabalhando pela população

na Câmara Municipal.

“Nós moradores sabemos

dos problemas que temos,

do que precisamos, do que é

necessário. Sabemos da necessidade

do povo. Nossa

área é muito carente na parte

social ”, salienta.

Ela acredita que há semelhanças

entre as funções de

líder comunitário e de vereador.

“Um candidato a vereador

depois de eleito é de

uma cidade. O candidato

que atuar só para o seu setor

está errado. Os problemas

que temos aqui temos em todo

o canto da cidade”, diz.

Embora não se considere

um líder comunitário, Elionai

de Lima, o Leo do Rasi,

carrega o nome do bairro

em que mora - Núcleo Octávio

Rasi - até mesmo no apelido.

“Moro no Rasi desde que

o bairro foi fundado e conheço

bastante a população daqui.

Boa parte das pessoas

me conhece e ouve o que eu

falo. Meu conhecimento sobre

o bairro ajudaria muito a

exercer o cargo de vereador.

Eu poderia resolver principalmente

o lado do meu bairro,

que está muito esquecido”,

conta.

Num segundo momento

de seu eventual mandato como

vereador, Leo afirma

que gostaria de ampliar sua

atuação pela cidade. “Daqui

a quatro anos quero voltar,

com um pouco mais de experiência”,

afirma.

Já Zaqueu Vieira da Silva,

presidente da Associação

de Moradores do Jardim

Tangarás, diz que como vereador

trabalharia pela cidade

toda, apesar da ênfase no

bairro em que mora.

“Eu trabalharia em defesa

do bairro porque eu percebi

que nenhum vereador trabalharia

por nós. Muitas crianças

daqui ainda passam por

tratamento contra o chumbo e

temos de levar esse caso mais

a sério”, expõe Silva, que desistiu

de tentar uma vaga na

Câmara Municipal.