Muitos dos líderes comunitários
que se candidataram
ao cargo de vereador no último
pleito e que foram ouvidos
pelo JC nos Bairros confirmam
a tendência ao “bairrismo”.
Ou seja, se tivessem sido
eleitos, lutariam com mais
ênfase pelos problemas dos
bairros em que moram.
“Eu deixei claro que não
vou assumir compromisso
com a cidade inteira. Eu iria
priorizar a região noroeste,
morando na região noroeste
da cidade. Eu queria trabalhar
de modo diferente. Sem demagogia”,
frisa Vivaldo Pereira
Martins, ex-presidente da Associação
de Moradores do Parque
Santa Edwirges.
Ele afirma que cerca de 20
bairros fazem parte da região
pela qual trabalharia como vereador.
Entre eles, estão Jardim
Bela Vista, Núcleo Fortunato
Rocha Lima, Parque Jaraguá,
Jardim Andorfato, Jardim
Vânia Maria, Vila Garcia,
Jardim TV, Jardim Progresso
e Parque União.
“Eu falei que sou da região
noroeste e quero assumir
um compromisso com a região
noroeste. Não adianta eu
falar que vou fazer algo pelo
Jardim Tangarás”, reforça.
Martins acredita que estaria
preparado para assumir o
cargo de vereador por conhecer
a realidade de todos os
bairros da região em que mora.
“A gente trabalha pela população.
Participei de muitas
realizações aqui no Parque
Santa Edwirges, com três
mandatos como presidente da
associação de moradores”, enfatiza.
Nair Rossi de Carvalho é
presidente da Associação de
Moradores do Núcleo Nova
Esperança há um ano e se candidatou
ao cargo de vereadora.
“Me fizeram o convite e eu
aceitei pela péssima situação
em que se encontra a cidade.
Eu me vi na obrigação de ajudar.
E o partido precisava de
mulheres”, explica.
Ela sonha em melhorar a situação
do bairro em que mora,
que tem diversas carências.
Uma de suas reivindicações
é reformar o centro comunitário
do Nova Esperança,
que está abandonado.
“Se eu fosse eleita, acho
que conseguiria muita coisa
pelo bairro porque a gente sabe
o que está faltando. Eu lutaria
por coisas de interesse da
população como um todo,
mas também pelo nosso bairro,
que está bem abandonado”,
afirma.
Nair conta que, durante a
campanha, teve a oportunidade
de visitar outros bairros da
cidade que precisam de investimentos,
como o Jardim Eldorado,
o Jardim Andorfato e o
Núcleo Edson Francisco da
Silva (Bauru 16).
“Tem muito buraco, muita
rua de terra, muitas guias sem
asfalto. Eu gostaria de poder
fazer alguma coisa”, destaca.
Embora não tenha sido
eleita - recebeu 134 votos -,
ela afirma que irá se candidatar
novamente nas próximas
eleições. “Não desisti. Daqui
a quatro anos eu volto. Não fiquei
triste não”, diz.
Pela segunda vez, a Vila
Dutra também teve sua candidata
nas últimas eleições.
Vera Pascoalino foi presidente
da associação de moradores
do bairro de 1987 a 2001
e afirma que gostaria de continuar
trabalhando pela população
na Câmara Municipal.
“Nós moradores sabemos
dos problemas que temos,
do que precisamos, do que é
necessário. Sabemos da necessidade
do povo. Nossa
área é muito carente na parte
social ”, salienta.
Ela acredita que há semelhanças
entre as funções de
líder comunitário e de vereador.
“Um candidato a vereador
depois de eleito é de
uma cidade. O candidato
que atuar só para o seu setor
está errado. Os problemas
que temos aqui temos em todo
o canto da cidade”, diz.
Embora não se considere
um líder comunitário, Elionai
de Lima, o Leo do Rasi,
carrega o nome do bairro
em que mora - Núcleo Octávio
Rasi - até mesmo no apelido.
“Moro no Rasi desde que
o bairro foi fundado e conheço
bastante a população daqui.
Boa parte das pessoas
me conhece e ouve o que eu
falo. Meu conhecimento sobre
o bairro ajudaria muito a
exercer o cargo de vereador.
Eu poderia resolver principalmente
o lado do meu bairro,
que está muito esquecido”,
conta.
Num segundo momento
de seu eventual mandato como
vereador, Leo afirma
que gostaria de ampliar sua
atuação pela cidade. “Daqui
a quatro anos quero voltar,
com um pouco mais de experiência”,
afirma.
Já Zaqueu Vieira da Silva,
presidente da Associação
de Moradores do Jardim
Tangarás, diz que como vereador
trabalharia pela cidade
toda, apesar da ênfase no
bairro em que mora.
“Eu trabalharia em defesa
do bairro porque eu percebi
que nenhum vereador trabalharia
por nós. Muitas crianças
daqui ainda passam por
tratamento contra o chumbo e
temos de levar esse caso mais
a sério”, expõe Silva, que desistiu
de tentar uma vaga na
Câmara Municipal.