10 de julho de 2026
Ciências

Agência de Notícias da Aids oferece opções à imprensa

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Fundada em maio de 2003, a Agência Aids é especializada no tema. Segundo Roseli Tardelli, coordenadora da agência, a intenção é fomentar pautas para a imprensa nos assuntos relacionados à doença, que só no ano passado matou cerca de 5 milhões de pessoas e infectou outras 3,5 milhões.

“A partir de 1996, com a entrada dos anti-retrovirais no cenário da aids no Brasil a pauta aids gradativamente foi perdendo espaço. Hoje ouvimos falar sobre a aids no seu dia mundial, que é 1 de dezembro, e no Carnaval, através de campanhas do Ministério da Saúde”, observa.

Roseli analisa, porém, que no dia-a-dia a imprensão que se tem é de que a aids não existe. “Ela existe e continua crescendo. O público-alvo hoje da aids é a mulher e os adolescentes. Acredito que a comunicação e o jornalista têm um papel fundamental nesse processo todo. O HIV conversa com a economia, com comportamento, com várias editorias”, constata.

Na avaliação dela, nem sempre os jornalistas conseguem enxergar dessa forma. “A função da Agência de Notícias da Aids é, através da informação, ajudar os jornalistas a prestarem serviços e a tentar, também através da informação, fazerem com que as pessoas se previnam mais”, explica.

A coordenadora da agência conta que o site registra 12 mil acessos diários. “Cerca de 1.200 jornalistas são cadastrados e recebem diariamente de duas a três pautas diferentes sobre o assunto HIV e aids. Eu acho que, na realidade, a Agência de Notícias Aids veio preencher um espaço que existia entre o mundo que tem HIV e aids, o mundo científico, de ativistas, e o mundo que não tem aids. Nossa intenção, sem pretensão, é estabelecer uma interlocução, uma interface entre esses vários mundos”, comenta.

Roseli participou da 15.ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada em julho passado em Bangcoc, de onde voltou “orgulhosa”. “Foi a primeira vez que voltei do Exterior com sentimento de orgulho do nosso País. As pessoas tratavam a gente com uma certa reverência justamente pelo fato de o Brasil ter sido ponta de lança nessa possibilidade de dar sustentabilidade e uma sobrevida melhor para as pessoas que vivem com o HIV e aids”, diz.

Na avaliação dela, o Brasil tem esse mérito. “O País trouxe os anti-retrovirais para a população mais pobre, mas ainda falta falar muito sobre prevenção. As campanhas de aids ainda são direcionadas só no dia 1 de dezembro. São voltadas só para a época do Carnaval. O mundo continua perdendo a guerra contra a aids. A questão é a gente conseguir ter campanhas constantes. Erramos quando não dissemos que a aids era uma doença à qual éramos todos vulneráveis”, opina.

Para Roseli, a ciência errou junto com os comunicadores. “Surgiu aquela conversa de que a aids era um câncer gay. Depois, grupo de risco. Seriam infectados só os usuários de drogas injetáveis, pessoas promíscuas eram possíveis de contrair o HIV. Depois veio aquela conversa de comportamento de risco. Vinte e três anos depois nós começamos a comunicar corretamente para dizer que somos todos vulneráveis ao vírus”, finaliza.