09 de julho de 2026
Articulistas

Você crê em milagres?


| Tempo de leitura: 3 min

Este final de semana, eu estava meditando nas palavras do padre Luiz Carlos de Oliveira, referentes ao 28.º domingo do tempo comum, descritas no semanário litúrgico Deus Conosco: “Percebemos que o milagre conduz à fé. Sem essa fé ele é bom, mas insuficiente. É preciso assumir a fé em Jesus, tomar a sua cruz e levar uma vida coerente”. Segundo o dicionário Michaelis, o milagre é um efeito cuja causa escapa à razão humana. Fiquei imaginando quantos milagres acontecem diariamente sem que nos demos conta disso. “Pois desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se pode escusar” (Rm 1, 20). Ainda assim, sem a fé o milagre parece mesmo ser insuficiente, como disse o padre Luiz. Isso porque o creditamos ao acaso, à sorte, ou achamos que é pura coincidência. Nossa lógica busca explicações até para o que efetivamente não tem razão de ser. Aliás, nossos cientistas que o digam, sempre procurando desvendar os mistérios desta existência.

Para assumirmos nossa fé em Jesus temos necessariamente que seguir os seus ensinamentos e exemplo de vida. Como isso não é fácil, simplesmente recusamo-nos a tomar a nossa cruz e, mais ainda, recusamo-nos a levar uma vida coerente ao evangelho anunciado por ele. Não há como seguir a Jesus sem abrir mão de uma série de coisinhas que nos aprisionam, principalmente o nosso egoísmo (Lc 9, 23). A Bíblia diz que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3, 5), “porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue? (Rm 10, 14). Assim, o milagre pode conduzir à fé, como disse o padre Luiz, pois o próprio Jesus pedia que cressem ao menos ao constatar suas obras (Jo 10, 38); e também “a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo” (Rm 10, 17). Contudo, nada disso tem efeito se a pessoa não se abrir à ação do Espírito de Deus.

Não podemos ser coniventes com o estado atual das coisas neste mundo. Precisamos nos conscientizar de que somos todos chamados a evangelizar. “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12, 3).

Fazendo assim, seremos capazes de abrigar um milagre dentro de nós mesmos. O milagre da nossa transformação e conversão. Jesus continua a realizar inúmeras curas, mas é imprescindível que creiamos nele. Eu costumo dizer que a sorte é o apelido de Deus. Ele continua operando obras maravilhosas que muitos tentam creditar ao acaso porque duvidam da existência do Criador. Observemos as últimas palavras do padre Luiz: “É preciso assumir a fé em Jesus, tomar a sua cruz e levar uma vida coerente”. A coerência vem do equilíbrio que encontramos toda vez que estamos em sintonia com Deus. “Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12, 11-12). Fazendo assim já estaremos tomando a nossa cruz e caminhando rumo ao maior milagre de que se tem notícia: a vida eterna!(Tt 1, 2).

A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga, bacharel em direito, e autora dos livros: Buscando a Felicidade - Editora Celebris - e Sementes de Esperança - Editora Santuário