11 de julho de 2026
Política

Mulher recebe mais votos, mas perde vaga na Câmara de Bauru

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

As 72 candidatas que disputaram vaga à Câmara Municipal de Bauru na eleição do último dia 3 somaram 20.397 votos, 8 mil a mais em relação ao pleito de 2000. O número significa 11,08% do total de votos válidos apurados, que foi de 184.022, contra 7,64% em relação a 2000. Mesmo com o crescimento na apuração, as mulheres reduziram de duas para uma cadeira a participação no Poder Legislativo.

Apenas a vereadora Majô Jandreice (PCdoB) conseguiu se reeleger. Catarina Carvalho (PFL) ficou na suplência. É preciso levar em consideração, porém, que o número de cadeiras na Câmara foi reduzido de 21 para 15.

“A maioria das candidatas é novata de partido e disputou eleição pela primeira vez. Algumas delas fizeram campanhas pequenas e até mesmo no sentido de ajudar a contribuir com a cota”, explica Majô.

Ela, no entanto, sempre defende que as mulheres reflitam sobre a participação nas eleições municipais. “Me lembro que em setembro o Conselho Municipal da Condição Feminina reuniu as mulheres para discutir e refletir sobre a campanha, mas elas já estavam no ritmo da eleição. Isso dificulta”, analisa.

A parlamentar reconhece que se afastou do movimento feminino. “Começei a avaliar se estava contribuindo ou não. Quero ter a oportunidade de conversar com algumas candidatas para refletir coletivamente sobre isso. É preciso avaliar essa questão com mais profundidade e critério”, diz.

Na opinião dela, não basta afirmar que a Câmara só elegeu uma mulher porque houve redução no número de cadeiras. “Até que ponto a gente consegue identificar de onde vem os votos das mulheres? Eles são das mulheres, dos eleitores homens?

Na avaliação da presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, Rosa Maria Morceli, o desempenho das candidatas na eleição está diretamente ligado ao que ocorre na Câmara Municipal de Bauru.

“As mulheres não se enxergaram na Câmara Municipal. A Catarina Carvalho fez um mandato personalista; não o exerceu preocupada em dar visibilidade para a ação da mulher. A Majô Jandreice tem seu mandato inserido em torno do PCdoB”, analisa.

Rosa afirma, porém, que Majô e Rodrigo Agostinho (PMDB) devem a reeleição a mais de 4 mil votos somados por candidatas da coligação Juntos por Bauru. “No PSDB, não foi diferente. Se o João Parreira conseguiu a reeleição, foi graças à boa performance nas urnas da Marilene Guerreiro”, diz.

Ela acha que as candidatas que disputaram a eleição têm um poder de negociação muito forte nas mãos, que são os 20 mil votos somados pela categoria. “Isso pode ser usado em benefício do próprio segmento, como por exemplo na cobrança de políticas voltadas para a mulher.”