Local de caminhada para adultos e de brincadeira na areia para crianças, o Bosque da Comunidade Jardim Dona Sarah virou moradia para vários gatos de rua. O aumento da população dos animais, que para uns são inofensivos, mas para outros representam risco de transmissão de doenças, já preocupa a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e o Departamento de Saúde Coletiva (DSC).
A estimativa da Semma e dos freqüentadores do bosque é que mais de 20 gatos moram na área verde. Além de lugar tranqüilo para dormir, eles têm comida levada por pessoas da comunidade que caminham no bosque e defendem a permanência dos animais no local.
Ronaldo Franco Costa, diretor da Divisão de Praças e Áreas Verdes da Semma, conta que vai reunir-se com a direção do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para definir o que fazer com os gatos. “É um problema porque uns querem os gatos lá e até levam comida para eles e outros reclamam. Agora também estão abandonando gatinhos novos porque sabem que alguém cuida”, conta.
Entre os freqüentadores do bosque, o assunto é polêmico. Neusa Brito, que costuma levar o neto de 7 anos para brincar no bosque, não vê problemas na presença dos gatos. “Meu neto até já pegou um dos gatinhos para cuidar, mas acabou devolvendo-o porque é difícil animal em apartamento”, diz ela que já chegou a levar comida para os animais.
Já Guiomar Costa Vieira, que cuida de João Antônio, de 2 anos e 5 meses, afirma que o menino não brinca no tanque de areia do bosque por causa dos gatos. “Antes de sair de casa para passear no bosque, eu explico que ele não vai poder brincar na areia porque o gato faz cocô lá”, relata ela, favorável à retirada dos animais da área verde.
Silvana Souza, que na semana passada havia levado o filho de 2 anos para brincar no playground instalado no tanque de areia, diz que nunca viu gato naquele espaço. “Eles ficam mais para cima, aqui nunca vi gato nem cocô no chão. Por enquanto, estou sossegada”, comenta.
Apesar de também não ver gatos no tanque de areia, Telma de Fátima Bertine, que havia levado a neta de 6 anos para brincar no local, afirma que os usuários do parque têm comentado sobre o aumento dos animais. Morador das proximidades do bosque, Carlos Eduardo Oliveira reclama que os vizinhos também sofrem. “Tem gato que aparece miando nas portas das nossas casas, sem falar do escândalo que fazem à noite”, diz.
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Saúde pública
Para a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu, do ponto de vista de saúde pública, é preciso retirar os gatos errantes do Bosque da Comunidade Jardim Dona Sarah. “São animais sem dono, que provavelmente não tomaram vacinas. A urina e fezes feitas na areia podem transmitir toxoplasmose, vermes e a doença do bicho geográfico e causar micoses”, alerta.
A toxoplasmose, a mais grave das doenças, é uma infecção que pode atingir vários órgãos e o sistema nervoso central de crianças e adultos. O risco é maior para mulheres grávidas. A doença pode causar cegueira, catarata congênita e problemas neurológicos no bebê.
Maria Helena ressalta que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) já vem orientando os funcionários do bosque a não fornecer comida para os gatos e se dispõe a fazer um trabalho educativo junto aos usuários. Como o CCZ não mantém gatil, se forem retirados do bosque, os gatos que não forem adotados serão sacrificados.