09 de julho de 2026
Polícia

Outras duas mortes foram registradas só neste mês

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Além das duas mortes decorrentes de violência registradas entre sábado e ontem em Bauru, outras duas foram notificadas só neste mês, conforme veiculou o JC. Uma delas também ocorreu durante o feriado prolongado e a outra, um pouco menos recente, na região do 1.º Distrito Policial (DP).

A última foi registrada domingo no bairro Ferradura Mirim, onde um rapaz de 21 anos foi alvejado depois que três homens armados dispararam contra ele. A vítima, Altemio de Carvalho, foi levado ao Pronto-Socorro Central (PSC), mas não resistiu e morreu. Ele era detento da Penitenciária 2 e estava em casa beneficiado pela saída temporária do Dia da Criança.

Cinco dias antes, o ajudante geral Gilson Rossato, 27 anos, foi achado morto dentro de um bueiro existente ao lado da estação elevatória de esgoto, no Núcleo Fortunato Rocha Lima. O rapaz, que apresentava sinais de queimaduras e estava com as vísceras expostas, também morreu porque foi ferido à bala. Ele era morador do Parque Jaraguá.

“Esses homicídios estão (concentrados) em alguns bolsões, onde a população tem baixo poder aquisitivo, onde falta infra-estrutura, tem uma incidência grande de bares clandestinos. (Também está concentrado) entre grupos de pessoas com passagem pela polícia”, explica o subcomandante do Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), major Pedro Batista Lamoso (leia mais abaixo).

Problemático

De acordo com ele, a região mais problemática é a Zona Norte, onde estão localizados bairros como o Jaraguá, Fortunato Rocha Lima, Andorfato e Santa Edwirges. “Juntos, devem concentrar 40 mil pessoas. Estamos priorizando essa área com operações de desarmamento, prisão de suspeitos e batidas em bares. Temos conseguido êxito”, informa.

Ele destaca que a Polícia Militar também tem feito investimentos sociais (curso de alfabetização de adultos) em regiões como o Jardim Tangarás e o Ferradura Mirim, também considerados bolsões de pobreza. “Mesmo assim, existe resistência por parte de quem não quer a polícia no local”, pondera.

Respaldado num levantamento do ano passado realizado com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Justiça, ele acredita que o total de homicídios registrados em Bauru neste ano ainda esteja dentro de um patamar aceitável. A média de casos entre 100 mil habitantes é de 14.3, índice inferior a cidades de porte semelhante como Marília (15.9), Limeira (15.5) e Piracicaba (15.8).

Embora seja superior ao de 2003 (12), o índice mantém a média de anos anteriores, diz.

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Estatística

O homicídio registrado ontem é 51º nos cálculos do JC. Porém, nas estatísticas da Polícia Civil é o de número 40. Os números não são coincidentes porque o JC considera vítimas de assassinato todas as pessoas mortas decorrentes de uma situação violenta, inclusive as que morreram dias após o fato, situação que recebe outra tipificação para a polícia.

Nos casos de duplo homicídio, por exemplo, a polícia registra como apenas um caso, sendo que a reportagem classifica como dois. Mas excluindo as diferenças metodológicas e tomando como base números oficiais, a cidade está na iminência de atingir antes do final do ano o total de homicídios registrado durante todo o ano passado, que é de 41.

“Ainda assim o número (de casos) está na média. Em 2002 tivemos 47 homicídios, em 2001, foram 40. Em 2000, o número foi de 29, mas em 1999, 44. Isso sem considerar o aumento da população. Na última eleição tínhamos menos de 200 mil eleitores”, avalia o delegado seccional, Antônio Ângelo Ciocca.

Ele ainda observa que das 40 vítimas de homicídio registrados pela polícia, 27 haviam sido processadas por crimes como tráfico de entorpecente, furto, roubo, homicídio, agressão, porte ilegal de armas e formação de quadrilha.

“Estamos dando prioridade para apreensão de armas e a prisão de traficantes, que provocam as ocorrências mais violentas”, conclui.