08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O povo e a cidade


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No domingo passado, o Fantástico, programa da TV Globo, mostrou uma índia que ficou impressionada ao ouvir a sua própria voz em um gravador, no final da década de 70. A inocência do ser humano diante de uma maravilha tecnológica foi comprovada quando ela tentou manter um diálogo consigo mesma. Esta índia morreu aqui em Bauru. A partir daí, comecei a refletir sobre a grandeza de nossa cidade e do nosso povo. Tantos grandes nomes de destaque nacional e internacional, como o astronauta Marcos Pontes e o repórter Luiz Carlos Azenha, tantas boas lembranças de uma cidade ordenada, bonita, agradável. Que pena, e que grave, que esta não é mais a nossa realidade.

Fiquei muito feliz ao ver que duas redes internacionais de hotelaria estão se instalando em Bauru, mas preocupado com a nossa falta de estrutura. Ou melhor, não temos estrutura para receber os hóspedes que estes hotéis atrairão! Os táxis são caros, mal-cuidados e desconfortáveis, o aeroporto não tem condições de ampliação e não temos um centro de convenções decente para abrigar, por exemplo, um congresso internacional.

Aliás, esta obra já deveria ter sido estimulada pela prefeitura... No comércio, apesar do crescente aumento das vendas, o que percebemos é uma estagnação no quesito atratividade. Quem quer se aventurar em um calçadão em pleno verão, 40ºC sobre a cabeça, para fazer compras? Fora enfrentar a complicada avenida Rodrigues Alves... Seria muito interessante que o nosso calçadão, por exemplo, se tornasse uma “Rua 24 horas”, como em Curitiba, totalmente fechada e climatizada. Certamente seria um grande destaque, e um atrativo, para a cidade que não pode mais se basear no velho Vitória Régia. Precisamos de novos pontos de referência. Poderíamos até dispensar o tão comentado e encrencado Shopping Savoy que, se depender da vontade de alguns empresários, não sairá nunca. O centro cultural da NOB seria perfeito, mas também encalhou...

Gosto muito de Bauru, mas precisamos ser realistas. A cidade está acabada e não atrai, apenas repele. Tanto que, infelizmente, os adjetivos de “cidade sem limites” e “capital do centro-oeste” estão dando lugar para “a cidade dos buracos” e “a cidade dos escândalos políticos”. Vamos refletir e escolher bem o prefeito neste segundo turno. Bauru não precisa mais de papo e discussões, mas sim de alguém que aja com espírito empreendedor e moderno. Precisamos reverter a seqüência de desastres para que a primeira década do século XXI não seja marcada nos livros como a década perdida para a grande cidade de Bauru.

Marcelo Ciamponi de Castro - estudante - RG 24982166-7