A Quasar Cia. de Dança é natural de Goiânia e, hoje, é uma das principais representantes da dança contemporânea no Brasil. No entanto, a manifestação artística dessa companhia não explora apenas a esfera da dança e traz consigo uma proposta estética de muitas faces, que pretende, acima de tudo, uma reflexão sobre a contemporaneidade e sobre a vida em sociedade, com seus conflitos e relações.
Fundada em 1988, por Vera Bicalho e Henrique Rodovalho, a Quasar tem suas origens no grupo Energia, formado em Goiânia, Goiás, no início dos anos 80. Henrique entrou para o movimento da dança após ter cursado educação física, pela Universidade Federal de Goiás, mas, como explica, desde o início, sempre esteve mais voltado à pesquisa de vertentes da dança que se aproximassem mais da sua identidade.
Como conta o coreógrafo, até por sua ligação com as artes marciais, nunca se sentiu muito atraído por aulas de dança ou pela vertente clássica do balé, mas sim, pelo ato de “criar” a dança. Como confessa Rodovalho, ainda que tenha tentado freqüentar aulas de balé em princípio, “desde o começo sentia a minha mente inquieta para estar criando alguma coisa, mesmo que de começo ainda primitiva”.
A Quasar traz consigo a inovação. Em cena, um tema inédito em seus espetáculos. E este é a própria dança. Como explica Rodovalho, a rotina da Quasar é se apropriar de outros temas e usar a dança para explorá-los. No entanto, com o “O+”, que será apresentada amanhã, às 21h, no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc), o grupo pretende um trabalho metalingüístico e, pela primeira vez em sua trajetória, a própria dança será o tema do espetáculo. “Eu sou casado com a dança, mas nos últimos tempos achei que faltava um pouco de energia, daquela vontade e desejo por dança, sentia-me um pouco angustiado”, conta o coreógrafo.
Assim, a partir de uma inspiração particular, Rodovalho colocou a idéia de trabalhar a dança para os bailarinos de sua companhia e, num trabalho conjunto, após um mês de discussão, vários personagens foram criados para dar forma a este espetáculo”.
Segundo o coreógrafo, cada um dos bailarinos criou seu caminho e sua forma de desejar a dança e, num círculo, cada um deles interpreta uma personagem e expõe a sua relação de desejo com a dança, num só espaço. E é dessa forma, a partir de várias perspectivas nascidas num mesmo lugar, que nasce o nome “O+”, pois “todos estarão lá falando da dança de modo apaixonado, positivo, num mesmo círculo”, diz Rodovalho.
Como explica ele, o espetáculo pretende questionar a própria dança contemporânea e seus bastidores de criação e coloca em discussão vários aspectos, como a questão do conceitual, do movimento e não movimento, mas não pretende em momento algum, a crítica destrutiva e pejorativa à esta forma de expressão. Pretende sim, colocar em discussão as várias vertentes da dança que existem hoje e os diferentes modos de encará-la.
• Serviço
Cia. Quasar apresenta “O+”, amanhã, às 21h, no Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.