O sol surge avermelhado por trás das águas escuras da Baiazinha. Ali, onde a fonte de vida se renova a cada estação, o Refúgio Ecológico Caiman ( www.caiman.com.br), no Pantanal sul-mato-grossense, celebra uma nova etapa: depois de 20 anos de pesquisas, a fazenda delimitou a área total da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
Com 5.603,20 hectares, encravados nos 53 mil hectares de toda a fazenda, é uma das maiores reservas particulares do País.
São 427 RPPNs no Brasil, numa área protegida de 445.892,65 hectares. A RPPN recebeu o nome de Dona Aracy, em homenagem a Aracy Klabin, mãe do dono da Estância Caiman, Roberto Klabin. “Com essa delimitação, está garantida a conservação da diversidade biológica desse amplo sistema chamado Complexo Pantanal”, diz o biólogo Álvaro Fernando de Almeida, um dos principais pesquisadores do projeto, professor da Universidade de São Paulo (USP).
As Reservas Particulares do Patrimônio Natural são áreas privadas e têm como objetivo conservar a diversidade biológica.
Elas são classificadas pelos órgãos oficiais de preservação ambiental de unidades de conservação de uso sustentável.
De acordo com Almeida, dentro delas podem ser desenvolvidas atividades como a pesquisa e a visitação com objetivos recreativos, educativos e turísticos.
Ele ressalta que essa nova unidade de conservação abriga e protege na fauna silvestre 40 espécies de mamíferos, 368 de aves, 15 de répteis, quatro de anfíbios e 21 espécies de peixes.
“Mas é possível que as futuras pesquisas e observações rotineiras elevem bastante a listagem dessa inestimável riqueza biológica.”
Preservação
Entre essas espécies relacionadas pelo professor, quatro de mamíferos e cinco de aves são consideradas raras; 16 tipos de aves estão na lista das vulneráveis e 10 espécies de mamíferos e duas de aves estão ameaçadas de extinção.
“Esse tipo de trabalho é muito importante para a manutenção da fauna. Se acontecer algum acidente aqui, o dono da área vai ser responsabilizado criminalmente, além de ter de pagar uma multa altíssima”, afirma Almeida.
O quadro que o pesquisador mostra presenteia os visitantes do mundo inteiro com belas paisagens. Misturam-se nos “quintais” da Caiman aves, como o cafezinho e o tuiuiú, e animais como veados, capivaras e jacarés.
Não raro, encontram-se nas caminhadas noturnas veados, quatis, jaguatiricas e a famosa onça-pintada. Mouriscos, felinos tão raros quanto a onça-parda, também dão o ar da graça aos turistas mais sortudos.
“Esse gato é mais raro que a arara-azul, que a onça-pintada”, empolga-se o guia Ricardo Lollato, um dos caimaners que enchem os visitantes de informações sobre a fauna e flora pantaneira.
Não faltam nesses bate-papos os “causos” contados pelos homens pantaneiros. “Fazemos questão de manter as tradições, a cultura do homem do Pantanal”, explica a gerente da estação ecológica, Mônica Matos Nogueira.
Junto com a criação da RPPN, a fazenda espera, até 2006, inaugurar outras instalações. A propriedade conta, atualmente, com quatro pousadas: Sede, Sede II, Baiazinha e Cordilheira.
Elas são distribuídas em pontos variados da fazenda, possuem infra-estrutura particular e estilos arquitetônicos diferentes. “Mas a idéia é construir um hotel até 2006. E as pousadas serão destinadas apenas para o uso de grupos fechados”, avisa Mônica.
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Preservando o patrimônio
Visando a preservação do Pantanal para as gerações futuras, foi criada, este ano, uma das maiores Reservas Particulares do Patrimônio Natural do Brasil - RPPN “Dona Aracy” - que protege 5.603,20 hectares.
Trata-se de uma área delimitada e cercada, de onde todo o gado foi retirado para que esta evolua naturalmente.
Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma área dentro de um imóvel rural destinada pelo próprio dono, voluntariamente, para a proteção do meio-ambiente.
É um modelo de Unidade de Conservação da Natureza, criado em 1990, pelo Ibama, para reconhecer as intenções conservacionistas de proprietários rurais.
A RPPN “Dona Aracy” representa uma amostra significativa do Pantanal regional, coberta por floresta estacional semidecidual em terras altas e pelo complexo de pantanal onde ocorrem as campinas inundáveis, os capões de mata, as cordilheiras e as matas ciliares.
Eliana Barbosa