Exilado em Paris pela violência gratuita e estérica do golpe militar de 64, Juscelino saiu uma tarde dirigindo seu carro e curtindo saudades do Brasil, numa conversa longa com seu amigo e secretário Olavo Drummond.
Chega à Place Vendômme e estaciona em lugar proibido. O guarda logo aparece, alto, posudo, com seu bonezinho à De Gaulle:
- “A licença (carteira) de motorista, por favorâ€.
Entregou. O guarda, posudo e alto, confere:
“Oh, senhor Kubitschek? Parente do grande presidente Kubitschek, do Brasil�
“Sou euâ€.
“O senhor, o próprio presidente Kubitschek do Brasil?â€
Já estava Juscelino abrindo a porta para remover o carro:
“Presidente, por favor, me dê a chave do carro. Eu mesmo vou estacioná-lo. É uma honra para a França ter o sr. como hóspede. Aqui, apesar de exilado, o senhor continua presidente como sei que continua presidente lá.â€
Juscelino entregou a chave, pôs a mão no ombro de Olavo e chorou... muito.
História relatada por Amir Farha