08 de julho de 2026
Politicando

Hóspede ilustre


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Exilado em Paris pela violência gratuita e estérica do golpe militar de 64, Juscelino saiu uma tarde dirigindo seu carro e curtindo saudades do Brasil, numa conversa longa com seu amigo e secretário Olavo Drummond.

Chega à Place Vendômme e estaciona em lugar proibido. O guarda logo aparece, alto, posudo, com seu bonezinho à De Gaulle:

- “A licença (carteira) de motorista, por favor”.

Entregou. O guarda, posudo e alto, confere:

“Oh, senhor Kubitschek? Parente do grande presidente Kubitschek, do Brasil”?

“Sou eu”.

“O senhor, o próprio presidente Kubitschek do Brasil?”

Já estava Juscelino abrindo a porta para remover o carro:

“Presidente, por favor, me dê a chave do carro. Eu mesmo vou estacioná-lo. É uma honra para a França ter o sr. como hóspede. Aqui, apesar de exilado, o senhor continua presidente como sei que continua presidente lá.”

Juscelino entregou a chave, pôs a mão no ombro de Olavo e chorou... muito.

História relatada por Amir Farha