08 de julho de 2026
Bairros

Rio Bauru começa a ser desassoreado

Luciana La Forteza
| Tempo de leitura: 3 min

Quem já amargou prejuízos com inundações em Bauru poderá respirar mais aliviado. É que a Secretaria Municipal de Obras iniciou ontem à tarde o desassoreamento do rio Bauru, cuja vazão deve aumentar em 30%. Atualmente, em dias normais, ela é dois mil litros de água por segundo. Quando chove forte, a vazão passa dos 10 mil e a água vai bater às portas principalmente dos moradores da região.

Para evitar que isso aconteça, cerca de oito servidores, auxiliados por um caminhão, vão retirar o mato das margens, areia do leito, além da algas que se procriam na água. “Não dá para calcular (quanto de areia será retirada). O material será depositado numa área fora do perímetro urbano porque sofreu contaminação de esgoto”, explica o secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan.

Por essa razão, para executar o trabalho que levará cerca de quatro semanas, os servidores não terão contato direto com a água do rio, que recebe no trecho urbano 1.500 litros por segundo de esgoto não tratado. Mesmo assim, os servidores desempenharão a atividade vestidos com uma calça especial.

Por tratar-se de um trabalho desempenhado exclusivamente pela secretaria, os custos da obra ainda não foram calculados. Mas o que não tem preço é a tranqüilidade que o desassoreamento proporcionará aos moradores da região. É assim que pensa o designer Danilo Pires Maciel, proprietário de um estabelecimento comercial na situado na quadra 6 da avenida Nuno de Assis.

Ele admite que fica preocupado quando chove e chegou até a gravar um vídeo num dia de chuva forte para registrar o aumento do nível do rio. “Já tive prejuízo com as inundações. Cheguei até a instalar uma barragem em frente (ao estabelecimento comercial) para evitar a entrada da água. Mas custa mais caro acionar a prefeitura do que resolver o problema sozinho”, diz o empresário e também morador da avenida, Silvio Archangelo Trugilho.

De acordo com ele, há quatro anos as inundações deram uma trégua na quadra 8, mas há poucos quarteirões de lá, na altura do terminal rodoviário, o problema ainda é recorrente. “Acho que vai ser bom”, afirma. Também aprova a iniciativa da administração municipal o biólogo e ambientalista, Ivan Alexandre Ferrazzoli Marchi.

“Esse desassoreamento vai aprofundar ainda mais o leito do rio. É uma medida de prevenção e combate de enchentes”, reitera. Além de suas próprias águas e do esgoto que nele deságua, o rio recebe ainda 100% das águas de 11 afluentes, além das águas pluviais.

Rio Tietê

O rio Tietê, principal rio do Estado do Estado de São Paulo, também está sendo desassoreado dentro da região metropolitana de São Paulo. Cerca de R$ 2 bilhões estão sendo investidos num trabalho de aprofudamento da calha, ajardinamento das margens e concretamento do canal.

O obra foi possível graças a uma parceria entre o governo do Estado e a prefeitura de São Paulo, por meio de um financiamento obtido junto a uma agência de cooperação japonesa. “Estão inclusive implodindo a rocha que fica no leito do rio. Aqui não precisa disso, é só fazer o trabalho de limpeza mesmo”, conclui o ambientalista e biólogo Ivan Alexandre Ferrazzoli Marchi.

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Ministério Público

O início das obras de desassoreamento do rio Bauru não é uma resposta da administração municipal ao Ministério Público que, na semana passada, concedeu 90 dias para a Prefeitura Municipal executar as obras de combate à enchente e erosão não cumpridas em acordo firmado num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em setembro de 2001.

A confirmação partiu do secretário municipal de obras, José Ângelo Padovan.

Portanto, em três meses o prefeito Nilson Costa ainda terá de concluir a instalação de galerias em diversos pontos da periferia, além de fazer interligações de bairros e a barragem de contenção de enchentes e canalização. Caso contrário, a administração municipal terá de arcar com multa de R$ 1 mil por dia.