08 de julho de 2026
Regional

Reginópolis recebe presos da Capital

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Reginópolis - Cerca de 180 presos provenientes da Capital e Grande São Paulo, que estavam temporariamente em presídios da região, foram transferidos nos últimos dias para Reginópolis (70 quilômetros a Noroeste de Bauru). As penitenciárias compactas I e II do município foram inauguradas oficialmente ontem, em solenidade que contou com a presença do secretário da Administração Penitenciária do Estado, Nagashi Furukawa.

As unidades, que têm capacidade para abrigar 1.536 presos em regime fechado, custaram ao governo estadual cerca de R$ 22,5 milhões.

Na próxima semana, a secretaria vai dar continuidade ao processo de transferência dos detentos. “Setecentos e cinqüenta presos já vieram da Capital para a região e estavam aguardando a inauguração (dos presídios de Reginópolis) para serem transferidos para cá”, diz o secretário.

Além dos presos que já estão na região, Furukawa afirma que os presídios receberão outros 750 condenados diretamente de São Paulo. “Virão 150 por semana”, destaca o secretário, lembrando que os detentos estão sendo retirados das carceragens dos distritos policiais da Capital.

As unidades de Reginópolis vão abrigar autores de roubo, com condenação inferior a dez anos.

Com a inauguração das duas penitenciárias, a secretaria passa a contar com 127 unidades prisionais no Estado, que abrigam cerca de 107 mil presos. Dessas, 12 são penitenciárias compactas. “Como o próprio nome diz, essa penitenciária é menor, mais compacta nos seus espaços”, explica o secretário. “Esse projeto todo mais enxuto, mais compacto, permitiu a redução de custos”, completa.

Estrutura

Ambas as unidades prisionais de Reginópolis contam com 64 celas. Cada cela tem capacidade para abrigar 12 detentos.

O sistema de segurança dos presídios inclui detector de metais, central de alarmes e circuito fechado de televisão (CFTV), com salas de controle independentes.

Em comparação a outras penitenciárias do Estado, as unidades de Reginópolis terão uma estrutura organizacional mais econômica, contando com menos integrantes nas áreas de diretoria e chefia.

“Esse sistema servirá de piloto e se funcionar bem nós estaremos imediatamente implantando nas outras dez penitenciárias compactas que temos funcionando no Estado”, diz o secretário.

Outra novidade das penitenciárias de Reginópolis é um sistema de televisão, que foi instalado em todas as celas. Por meio dos equipamentos, controlados pela administração das unidades, os presos terão acesso, das 16h às 19h30, a programas educativos selecionados pela Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap). Das 19h30 às 22h, eles poderão assistir ao canal de sua escolha.

Os presídios contam também com cantinas, sob responsabilidade da Funap, salas de aula, pavilhão de trabalho e de cozinha.

A PI será administrada pela diretora Edenir Isabel Ferreira Nogueira e a PII pelo diretor Jesus Nilton Sobrinho. Ao todo, 110 agentes penitenciários atuarão em cada unidade. De acordo com Edenir, cerca de 80% dos funcionários são do município e da região.

Furukawa lembrou que a construção das duas penitenciárias em Reginópolis só foi possível devido à iniciativa da prefeitura local. “Nós construímos (penitenciárias) nos municípios que quiseram fazer uma parceria conosco e ofereceram o terreno em desapropriação”, explica.

A prefeita de Reginópolis, Carolina Araujo de Sousa Veríssimo (PMDB), afirma que sua administração teve interesse na instalação das unidades visando a geração de empregos. Segundo ela, no período de construção dos presídios, a maior parte da mão de obra contratada temporariamente era formada por trabalhadores do próprio município.

A prefeita também destaca que os agentes penitenciários de Reginópolis e região, que estavam atuando em outras unidades do Estado, foram transferidos para a cidade. “Com a vinda dessas pessoas, nós também vamos incrementar o comércio e a economia local”, avalia.

Segurança

O município de Reginópolis conta com cerca de 5 mil habitantes. O secretário da Administração Penitenciária do Estado, Nagashi Furukawa, não acredita que a inauguração dos presídios trará insegurança à população. Moradores consultados pela reportagem não partilham da mesma opinião.

Furukawa afirma que penitenciárias do mesmo modelo funcionam atualmente em pequenas cidades do Estado, como Potim, Pracinha e Lavínia. “Em nenhum desses locais nós tivemos problemas significativos de segurança”, diz.

Questionado sobre o assunto, a prefeita de Reginópolis, Carolina Araujo de Sousa Veríssimo, relativizou o problema. “O que nos garante segurança total? Em que lugar do mundo temos segurança total? questiona a prefeita, para quem a maior parte da comunidade é a favor da instalação dos presídios.