08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Talento para a sublime missão de educar


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Neste dia em que se comemora o Dia do Professor, quando ele é lembrado e homenageado, de um jeito ou de outro, das mais variadas formas que vão dos mais singelos desenhos e cartinhas de alunos da pré escola, aos editoriais dos grandes jornais que abordam suas dificuldades e encarecem ao mesmo tempo a necessidade de seu reconhecimento pelos governos, entendo, caber uma reflexão profunda sobre o mesmo.

Reafirmar sua baixa remuneração devido ao descaso que vem sofrendo através dos tempos e governos chegando quase que ao fundo do poço, levando-o à uma vida humilde de sacrifícios com sua família sem vislumbrar promissoras expectativas, tornou-se o óbvio. A própria sociedade reconhece esta discrepância ao mesmo tempo que considera sua impotência para reverter a situação. O professor ganha mal, impiedosamente pouco; e, se lhe fosse concedido um aumento de 300%- o que é utópico e impossível, mesmo assim este não lhe restabeleceria o merecido dando-lhe o valor retribuitório a que faria jus. Houve tempo em que ganhava bem. A defasagem de sua remuneração vem se acentuando cada vez mais tornando impossível sua correção. Aliás, ressalte-se que o professor não é o único profissional mal remunerado na sociedade contemporânea, tendência que infelizmente torna-se uma constante no mundo. Há muitos e muitos profissionais que também exercem excepcionais atividades humanitárias e que igualmente não são reconhecidos com os correspondentes e merecidos ganhos. . Vivemos em uma sociedade caracterizada pela inversão de valores, de riqueza mal distribuída, concentrada em alguns setores diminutos dela própria. É triste e mesmo revoltante saber-se que o ganho de um ano do professor e outros profissionais, equivale ao ganho de um dia e mesmo de meio dia de certos ícones super valorizados pela mídia como artistas, modelos, esportistas, políticos corruptos e outros. Desnecessário citar nomes; muito embora muitos também tenham seus méritos, seus ganhos exagerados e absurdos causam revoltas e frustrações. Se o professor da ativa apesar de alguns benefícios que lhes são concedidos ganha mal; imaginemos a situação do aposentado que não recebe esses mesmos benefícios por ser considerado inativo, em um flagrante desrespeito ao seu trabalho do passado forjando gerações que são os mesmos expoentes do presente e que, ainda, podem ser considerados luzes irradiando experiências e respeito. Principalmente neste dia cabe aquela reflexão evocada no início: se a situação do professor poderá ser revertida; em expectativa afirmativa, quando, e finalmente. o que será preciso desconsiderando-se o meio greve em que não merece mais crédito..

Apesar de tudo, o professor deve ter orgulho não apenas pela singela efeméride que lhe é tributada em todos os 15 de Outubro, mas, principalmente pelo seu papel no passado, no presente e no futuro. Jamais deverá perder a auto estima! É gratificante saber-se que, mesmo após o nosso desaparecimento físico determinado pela morte, continuaremos vivos por muito tempo no coração e memória dos nossos ex alunos e que os filhos de nossos filhos almejarão serem herdeiros de nossos talentos para também educar, no magistério ou em outros setores e campos da sociedade!

Professor Joaquim Eliseo Mendes