Na opinião de especialistas em educação e psicologia consultados pelo JC, não é recomendável que os pais se antecipem às escolhas de seus filhos e imponham uma religião às crianças, especialmente quando o pai e a mãe, ou outros membros da família, possuem diferentes opções de fé. A melhor alternativa seria apresentar as crianças a cada religião e deixá-la optar quando já tiver maturidade para tal.
Marisa Eugênia Melillo Meira, que é professora do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pondera que na maioria das religiões os rituais de iniciação são promovidos precocemente, quando a criança ainda não tem condições de fazer sua opção. “Elas acabam freqüentando a religião dos pais, e só na juventude ou na idade adulta vão poder avaliar se aquilo faz sentido para sua vida ou não”, avalia.
Ela orienta que os pais permitam o contato dos filhos com os conceitos de religião e de Deus, assim como da fé na vida das pessoas. “É importante permitir que a criança faça sua opção e que isso não seja usado como ponto de discussões em casa”, diz.
O professor de psicologia da educação da Unesp, Antônio Francisco Marques, defende que as escolhas devem ser feitas no âmbito pessoal. “Cada um deve procurar seguir sua religião e deixar os filhos fazerem sua escolha a partir do que vêem na prática religiosa dos pais. O melhor é criar uma mentalidade ecumênica”, diz.