08 de julho de 2026
Bairros

Para PM, índices não preocupam

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Na opinião dos comandantes

das três companhias

da Polícia Militar (PM) de

Bauru, a quantidade de ocorrências

registradas no município

não justifica mudanças

de comportamento da população.

Eles explicam que a sensação

de insegurança da população

não necessariamente

reflete o grau de violência da

cidade.

“Estatísticas de homicídios,

de armas apreendidas e

notícias de violência de modo

geral causam sensação de

insegurança. Mas, às vezes, a

pessoa insegura mora num

bairro que não tem tantos problemas,

estatisticamente. São coisas diferentes”, explica

o capitão Benedito Roberto

Meira, comandante da 1.ª

Companhia da PM.

Na opinião de Meira, a audácia

dos infratores pode assustar

mais do que a freqüência

com que as ocorrências

são registradas. “Furtos e roubos

a residências, por exemplo,

não têm aumentado assustadoramente.

Mas alguma coisa diferente que aconteça

vai sendo divulgada e causa

um certo temor nas pessoas”,

afirma.

Ele acredita que a grande

quantidade de cercas elétricas

instaladas recentemente

refletem o aumento da sensação

de insegurança da população.

“Andando pelos bairros,

vemos muitas cercas elétricas.

As pessoas estão usando

porque com certeza outros

moradores daquele bairro foram

vítimas de furto. Um vizinho

conta para o outro e aumenta

a sensação de insegurança”,

expõe.

Meira avalia que os crimes

praticados na área central

da cidade não justificam

mudanças drásticas de comportamento.

“Não está tão crítico

assim. Está em um patamar

suportável,

tranqüilo. Não temos

crimes graves,

violentos. Temos

crimes contra

o patrimônio, que

é o furto, em função

do comércio”, argumenta.

“Para saber se a

área está violenta,

temos de avaliar se

a incidência de crimes

contra a vida,

como o roubo, está

muito alta. Isso eu

garanto que não está.

A violência se

traduz em ausência

da integridade física

da pessoa”, acrescenta.

O capitão Flávio

Jun Kitazume,

comandante da 3.ª

Companhia da PM, tem percebido

as alterações de comportamento

das pessoas.

“As pessoas já não freqüentam

tanto as praças públicas,

que deveriam ser locais

para a criançada e para a família.

A gente percebe também

o aumento das grades de proteção

nas janelas e no portão.

Cada vez mais as pessoas vão

se fechando. Portão eletrônico

e interfone com câmeras

também são equipamentos

que revelam a sensação se insegurança”,

expõe.

Kitazume afirma que não

existe concentração de ocorrências

nas regiões Noroeste

e Oeste. “Percebo que o furto

predomina entre as ocorrências.

Em segundo, e em escala

bem menor, vem o roubo. Depois

o homicídio. O que preocuparia

mais a gente seria as

ameaças às vidas das pessoas.

Mas em Bauru o número de

furtos ainda é maior que o de

roubos”, diz.

O comandante da 3.ª Companhia

acredita que uma alternativa

para que a população

volte a se sentir à vontade em

seus bairros é o envolvimento

com a polícia.

“Quanto mais próxima a

polícia estiver da comunidade,

mais segurança podemos

oferecer, conforme a necessidade.

É importante que o policial

seja fixo numa área de

modo que ele conheça e seja

conhecido pelas pessoas,

passando mais segurança”,

avalia.

Para o capitão Nelson Garcia

Filho, comandante da 4.ª

Companhia da PM, a insegurança

não pode prejudicar a

qualidade de vida das pessoas.

“Você não pode deixar

sua qualidade de vida cair em

virtude de imaginar uma situação

hipotética. Não pode prejudicar

sua vida. O que vem

em primeiro lugar é a qualidade

de vida”, afirma.

Na opinião de Garcia, muitas

pessoas ficam abaladas

por saber o que aconteceu

com um vizinho, com um morador

de outra cidade ou por

acreditar que a violência da

qual foi vítima vai se repetir

em breve.

“Quando a pessoa é vítima

de algum furto, roubo ou violência

qualquer ela tem uma

espécie de síndrome e pode

achar que o bandido vai voltar.

É uma coisa natural. É

uma coisa psicológica. Se seu

vizinho foi vítima de furto, dá

a impressão de que a próxima

casa é a sua”, explica.

Garcia acredita que o policiamento

preventivo contribui

com a volta da sensação

de segurança. “Cabe à polícia

mostrar para a comunidade a

possibilidade de acabar com o

crime”, salienta.

O grande problema é que

muitas pessoas não denunciam

ocorrências à polícia por

medo de represálias. Isso dificulta

a ação da polícia, que

precisa da colaboração dos

moradores para manter a região

tranqüila.

Garcia reforça que Bauru

não está em situação crítica

de violência. “De modo geral,

a região está bem tranqüila.

Não está preocupante. E com

o helicóptero teremos um retorno

ainda melhor”, diz.