Para a psicóloga Maria
Lúcia Biem, as alterações de
comportamento em função de
medo da violência mostram
as pessoas estão cada vez
mais fragilizadas, amedrontadas
e inseguras.
“As inseguranças estão sendo
demonstradas no próprio
comportamento. A gente percebe
pessoas mudando o ritmo
vida por conta disso. Antes,
saíam de casa despreocupadas.
Hoje, o passeio já é
uma preocupação”, observa.
Segundo Maria Lúcia, o
estresse emocional provocado
pela sensação se insegurança
tem também conseqüências
físicas. “As inseguranças
são demonstradas até
fisicamente. A pessoa vive
estado de alerta e contrai
males físicos. Passa do emocional
para o físico. Elas começam
a sentir frio na barriga
e os batimentos cardíacos
ficam acelerados, por exemplo”,
explica.
São as chamadas doenças
psicossomáticas. “Começa
com a mente e acaba atacando
um órgão do seu corpo. A
pessoa começa a ter problemas
de estômago, de cabeça,
As características variam
acordo com a pessoa”,
acrescenta.
A psicóloga alerta para o o
perigo de a insegurança levar
uma neurose. “Nós sabemos
temos de tomar os devidos
cuidados. Mas isso não
pode virar uma neurose e uma
fobia. Ela fica com uma idéia
de que ela está sujeita a
perigo constante. Isso
preocupa porque a pessoa não
pode deixar de ter qualidade
vida”, expõe.
Maria Lúcia conta que em
muitos casos as pessoas excessivamente
preocupadas com
a segurança nunca foram assaltadas
nem sofreram qualquer
tipo de violência grave.
O que acontece é que elas estão
sugestionadas e sofrem
por antecipação.
“Ela ouve a história do vizinho
e fica imaginando se
fosse com ela. Vai tendo sensações
de mal estar e começa
a criar o estado de alerta”,
afirma.
Já quem já foi assaltado a
mão armada, por exemplo, geralmente
apresenta mudanças
de comportamento mais
radicais.
“Elas precisam de um tempo
para que voltem a se sentir
tranqüilas no local em que
elas foram assaltadas, principalmente
se aconteceu em casa.
E chegam a mudar de residência
por não suportar isso.
Mas cada um tem um limiar”,
observa a psicóloga.
“Uma coisa é ter cuidados.
Você não deve caminhar
em horários noturnos em
ruas sem movimento, etc.
Mas você não pode transformar
isso num pesadelo na
sua vida”, reforça.
Um sintoma da preocupação
com insegurança é a transformação
da casa em um “forte”.
“Além de mudar de comportamento,
as pessoas começam
a equipar suas casas com
cerca elétrica, alarme e tudo o
que elas possam instalar para
achar que estão seguras. Na
verdade, ajuda, porque ela sente-
se mais aliviada”, explica.
Maria Lúcia orienta as
pessoas a evitar o pensamento
negativo. “Uma coisa que
eu acho ruim é o pensamento
constante de que você vai ser
assaltado. Quando você tem
uma idéia fixa, você atrai isso
para você. É importante
tomar cuidado, não abusar
das situações, mas não ficar
ruminando esses pensamentos”,
diz a psicóloga.
Aos pais, ela orienta a educar
seus filhos sem passar medo.
Além disso, afirma que,
quando o assunto é insegurança,
é importante usar mais a
razão e menos a emoção. Já
quando a possibilidade de assalto
ou furto torna-se um pensamento
fixo e atrapalha o cotidiano,
é recomendável procurar
um profissional.