09 de julho de 2026
Bairros

Psicóloga alerta para perigo de neurose

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Para a psicóloga Maria

Lúcia Biem, as alterações de

comportamento em função de

medo da violência mostram

as pessoas estão cada vez

mais fragilizadas, amedrontadas

e inseguras.

“As inseguranças estão sendo

demonstradas no próprio

comportamento. A gente percebe

pessoas mudando o ritmo

vida por conta disso. Antes,

saíam de casa despreocupadas.

Hoje, o passeio já é

uma preocupação”, observa.

Segundo Maria Lúcia, o

estresse emocional provocado

pela sensação se insegurança

tem também conseqüências

físicas. “As inseguranças

são demonstradas até

fisicamente. A pessoa vive

estado de alerta e contrai

males físicos. Passa do emocional

para o físico. Elas começam

a sentir frio na barriga

e os batimentos cardíacos

ficam acelerados, por exemplo”,

explica.

São as chamadas doenças

psicossomáticas. “Começa

com a mente e acaba atacando

um órgão do seu corpo. A

pessoa começa a ter problemas

de estômago, de cabeça,

As características variam

acordo com a pessoa”,

acrescenta.

A psicóloga alerta para o o

perigo de a insegurança levar

uma neurose. “Nós sabemos

temos de tomar os devidos

cuidados. Mas isso não

pode virar uma neurose e uma

fobia. Ela fica com uma idéia

de que ela está sujeita a

perigo constante. Isso

preocupa porque a pessoa não

pode deixar de ter qualidade

vida”, expõe.

Maria Lúcia conta que em

muitos casos as pessoas excessivamente

preocupadas com

a segurança nunca foram assaltadas

nem sofreram qualquer

tipo de violência grave.

O que acontece é que elas estão

sugestionadas e sofrem

por antecipação.

“Ela ouve a história do vizinho

e fica imaginando se

fosse com ela. Vai tendo sensações

de mal estar e começa

a criar o estado de alerta”,

afirma.

Já quem já foi assaltado a

mão armada, por exemplo, geralmente

apresenta mudanças

de comportamento mais

radicais.

“Elas precisam de um tempo

para que voltem a se sentir

tranqüilas no local em que

elas foram assaltadas, principalmente

se aconteceu em casa.

E chegam a mudar de residência

por não suportar isso.

Mas cada um tem um limiar”,

observa a psicóloga.

“Uma coisa é ter cuidados.

Você não deve caminhar

em horários noturnos em

ruas sem movimento, etc.

Mas você não pode transformar

isso num pesadelo na

sua vida”, reforça.

Um sintoma da preocupação

com insegurança é a transformação

da casa em um “forte”.

“Além de mudar de comportamento,

as pessoas começam

a equipar suas casas com

cerca elétrica, alarme e tudo o

que elas possam instalar para

achar que estão seguras. Na

verdade, ajuda, porque ela sente-

se mais aliviada”, explica.

Maria Lúcia orienta as

pessoas a evitar o pensamento

negativo. “Uma coisa que

eu acho ruim é o pensamento

constante de que você vai ser

assaltado. Quando você tem

uma idéia fixa, você atrai isso

para você. É importante

tomar cuidado, não abusar

das situações, mas não ficar

ruminando esses pensamentos”,

diz a psicóloga.

Aos pais, ela orienta a educar

seus filhos sem passar medo.

Além disso, afirma que,

quando o assunto é insegurança,

é importante usar mais a

razão e menos a emoção. Já

quando a possibilidade de assalto

ou furto torna-se um pensamento

fixo e atrapalha o cotidiano,

é recomendável procurar

um profissional.