08 de julho de 2026
Geral

Vaso de fibra de coco substitui xaxim

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

A tradição de cultivar plantas em xaxins está sendo modificada em nome da preservação do meio ambiente. A proibição para que a matéria-prima do produto seja extraída do tronco de uma espécie encontrada principalmente na mata atlântica vem fazendo com que, gradativamente, os vasos de fibra de coco ganhem cada vez mais espaço no mercado.

Em 2001, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou uma resolução impedindo que o xaxim continuasse a ser explorado livremente, o que particamente inviabilizou a fabricação dos vasos. Para combater o comércio ilegal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está intensificando a fiscalização em lojas de jardinagem e similares.

O comerciante Sérgio Cesar Motti afirma que a troca dos xaxins por vasos de fibra de coco é um caminho sem volta, mas relata que muitos clientes ainda resistem à mudança. “O novo produto não é tão conhecido e há pessoas que preferem não levá-lo”, diz.

Segundo ele, a forma de utilização dos dois tipos de vasos é a mesma exige os mesmos cuidados. “O de fibra de coco está permitindo, inclusive, o surgimento de produtos mais elaborados esteticamente”, compara.

Massatoshi Ogihara, vendedor de outra loja de jardinagem de Bauru, confirma que boa parte dos consumidores seguem preferindo os xaxins. “Quando explicamos que eles estão sendo substituídos por causa da preservação, as pessoas passam a ver a fibra de coco com outros olhos”, conta.

Ele explica que a diferença de preço também acaba interferindo na escolha. “Um xaxim pequeno custa em torno de R$ 3,50 e o de fibra de coco, R$ 6,00”, conta.

Inviável

A analista ambiental do escritório regional do Ibama em Bauru, Toshiko Mizuhira, explica que é possível cultivar o xaxim comercialmente, mas isso seria economicamente inviável. “Levaria de 12 a 15 anos para que ele estivesse apto a ser comercializado”, argumenta.

Segundo ela, as lojas que quiserem continuar vendendo xaxins precisarão atestar a origem do produto. “Como já faz três anos que a extração da matéria-prima foi proibida, essa comprovação é difícil”, declara.

Mizuhira explica que os comerciantes que desrespeitarem a determinação estarão sujeitos a uma multa que pode chegar a R$ 4.960,00. “Por isso mesmo, a Polícia Ambiental está alertando as lojas para que não adquiram xaxins sem origem comprovada”, destaca.

O Conama decidiu proibir a extração do xaxim após constatar que a planta de onde ele éextraído, a samambaiçu, está em extinção.