09 de julho de 2026
Geral

Invenção tenta ajudar coleta seletiva

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

Preocupado com os problemas gerados pela ferrenha disputa pelo lixo reciclável entre catadores autônomos e o caminhão da Prefeitura que faz a coleta seletiva, o tecnólogo aposentado José Carlos Carvalho, 52 anos, o Jota Carvalho, gastou alguns neurônios e projetou um equipamento para facilitar esta atividade.

O inventor, também conhecido na cidade como compositor, apresentou ontem a sua criação, no mesmo dia em que recebeu do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) o protocolo de registro de seu projeto - o pedido foi feito em setembro. O equipamento é simples e, segundo explica seu idealizador, foi projetado para ser instalado nas calçadas.

A invenção, que se junta a outras já surgidas na cidade, consiste em um tambor de 200 litros destinado apenas ao material reciclável. O tambor é dotado de furações (para fixação, ventilação e limpeza), uma corrente (para prendê-lo à lixeira da calçada e evitar que seja furtado) e uma tampa com dobradiça, para evitar que a água da chuva estrague materiais como papel e papelão. Integra ainda o kit uma placa para ser afixada na lixeira de calçada, informando que ali há apenas lixo orgânico.

O objetivo da invenção é facilitar o trabalho tanto do caminhão da coleta seletiva, coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente (Semma), quanto dos catadores autônomos. Segundo Carvalho, com o equipamento, os autônomos poderão encontrar no compartimento de lixo reciclável o material que procuram, sem ter que “revirar” todo restante do lixo.

“Os catadores geralmente selecionam apenas o material que lhes interessa, geralmente alumínio (de maior valor), e deixam espalhado pela calçada o restante do lixo. Com o equipamento, poderão levar o que procuram e deixar o restante no tambor para o caminhão da Semma, que pega todo o lixo reciclável”, argumenta.

O inventor ainda não soube informar o custo do equipamento, mas disse que já está à procura de uma indústria para viabilizar a sua produção em escala comercial. Carvalho acredita que os principais “clientes” da nova lixeira serão os condomínios e prédios, principalmente os de kitinetes de estudantes, segundo ele, “grandes produtores” de lixo reciclável.

Síndico de um imóvel deste tipo, onde possui alguns apartamentos, Carvalho recorreu à prancheta para rascunhar seu projeto visando solucionar um problema pessoal.

“O lixo do prédio era constantemente revirado e vínhamos enfrentando problemas com a limpeza das calçadas”, conta.

O prédio, na Vila Universitária, vai “estrear” hoje a invenção - a instalação do equipamento foi definida logo após a confirmação do registro de patente. Carvalho destaca, porém, que a nova lixeira também é adequada para uso residencial unifamiliar e comercial.

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Ampliação da coleta

Apesar das dificuldades enfrentadas pela Secretaria de Meio Ambiente (Semma) para executar a coleta seletiva na cidade, em função da “concorrência” com os catadores autônomos, o titular da pasta, Kazumi Kobayashi, informa que a administração tem planos para ampliar a cobertura do programa.

Segundo ele, atualmente entre 60% e 70% da cidade estão incluídos no roteiro dos caminhões que executam o serviço. Kobayashi garante que o serviço está funcionando regularmente nas áreas definidas e que falhas devem ser comunicadas à Semma (3235-1129).

O secretário confirmou a expressiva queda de 67% na quantidade de material reciclável arrecadado pela Semma nos últimos dois anos, período em que o volume caiu de 120 toneladas para 40 toneladas ao mês, segundo noticiou o JC em julho deste ano. Kobayashi credita a situação à atuação dos autônomos, que conhecem o roteiro dos caminhões e chegam antes ao lixo.

Como o material arrecadado pela Semma é destinado à Central de Triagem de lixo reciclável do Jardim Redentor, as 23 pessoas da Associação dos Catadores de Material Reciclável que de lá tiram seu sustento vêem seu rendimento cair continuamente.

Kobayashi defende, paralelamente à intenção de ampliar a coleta seletiva, que os catadores autônomos sejam envolvidos em projetos como o desenvolvido no Jardim Redentor, através da criação de novas associações.