A aproximação da temporada de chuvas e a possibilidade de novas enchentes vem deixando os moradores e comerciantes da avenida Alfredo Maia alarmados. Eles reclamam que os bueiros da via estão entupidos e que, apesar das reclamações constantes, a prefeitura ainda não tomou nenhuma providência para desobstruí-los.
A avenida é um dos pontos mais críticos de alagamento em Bauru. Em fevereiro de 2001, a enfermeira Maria Anita Ribeiro Correa da Silva e o motoboy Rodrigo Maciel dos Santos foram levados pela força das águas e desapareceram no córrego Água do Sobrado, que passa ao lado da Alfredo Maia. O corpo da mulher jamais foi localizado.
O barbeiro Paulo Alves da Silva trabalha na quadra 2 da avenida, a cerca de 10 metros de duas bocas-de-lobo que estão completamente entupidas. Em uma delas, situada em frente à Praça Espanha, é possível visualizar uma grande poça de água ao redor da sargeta. “Aqui sempre foi um local crítico em termos de bueiro, mas de uns tempos para cá eles deixaram de fazer a manutenção”, critica.
Silva conta que chegou a encaminhar um abaixo-assinado para a prefeitura solicitando a limpeza do local. “Mas até agora não obtive nenhuma resposta”, protesta.
O taxista João Pereira afirma que o risco de enchentes não é o único aborrecimento dos moradores e comerciantes da avenida. “A água da chuva e da enxurrada fica empoçada e a gente tem que conviver com esse mau cheiro insuportável”, diz.
A Alfredo Maia não é, porém, a única fonte de protestos quando o assunto é bueiro entupido. A comerciante Mariza Bott Martha revela que aguarda há dois meses a limpeza de uma boca-de-lobo instalada em frente a sua padaria, na esquina das ruas Virgílio Malta e Joaquim da Silva Martha. “Quando chove, a situação fica complicada. Depois, vem o mau cheiro”, relata.
Apesar das reclamações, o diretor do Departamento Técnico da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), Ismael Borges, sustenta que o trabalho de limpeza dos cerca de 20 mil bueiros da cidade vem sendo feito com regularidade.
Segundo ele, 60 funcionários das oito regionais administrativas da prefeitura realizam a manutenção diária de 80 bocas-de-lobo. “Esse serviço é feito aleatoriamente, mas algumas áreas que estão mais sujeitas a enchentes, como as avenidas Alfredo Maia, Nuno de Assis e Nações Unidas, recebem maior atenção”, afirma.
Ele garante que os funcionários da Sear são orientados a promover a limpeza de um bueiro sempre que o entupimento é detectado. “O problema é que a Alfredo Maia beira o córrego e as pessoas jogam muito lixo no local”, argumenta.
Ontem à tarde, a reportagem acompanhou a limpeza de um bueiro na quadra 7 da rua Voluntários da Pátria. Uma grande quantidade de folhas e terra, além de garrafas plásticas e outros objetos foram retirados da boca-de-lobo. O processo levou cerca de 25 minutos.
Borges afirma que, até o final do ano, todos os demais bueiros que necessitam de manutenção estarão desobstruídos. “O tempo é suficiente e estamos trabalhando a todo o vapor”, declara. Para quem convive com o problema, a esperança é que o anúncio possa ser efetivamente cumprido.
O Ministério Público concedeu mais 90 dias para a prefeitura executar as obras de combate à enchente e erosão não cumpridas em acordo firmado num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em setembro de 2001, por conta das mortes ocorridas. Neste prazo, a prefeitura terá de concluir a instalação de galerias em diversos pontos da periferia, fazer interligações de bairros e a barragem de contenção de enchentes e canalização. Caso contrário, a administração fica sujeita a multa de R$ 1 mil por dia.
• Serviço
Quem estiver com bocas-de-lobo entupidas pode solicitar a limpeza junto à Secretaria Municipal das Administrações Regionais. O telefone para contato é (14) 3235-1089.