08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ignorância é o pior mal


| Tempo de leitura: 2 min

O que temos visto nos últimos tempos nesta cidade de Bauru muito se assemelha à política de extermínio nazi-facista sob o régio aconselhamento do médico Josef Menguelli.

Primeiro foram os indefesos e famintos cães errantes, que “ganharam” a carrocinha e uma sala de eutanásia. Agora o DSC se volta contra os gatos do Bosque Municipal, alardeando serem pestilentos e transmissores de horrendas doenças e dando o veredicto para que sejam simplesmente condenados à morte agônica (injeção letal). Como se vê, ainda existe uma grave falta de informação entre os profissionais da área da saúde e o público leigo quanto aos riscos de infecção dos humanos a partir do gato.

São freqüentes as recomendações preconceituosas e sem o menor embasamento científico. Somente o conhecimento de características biológicas e epidemiológicas do parasita esclarece os verdadeiros riscos. Para recomendar medidas de controle de uma enfermidade é indispensável conhecer a biologia do agente etiológico, as formas de transmissão e as prováveis fontes de infecção.

É necessário esclarecer à população que a transmissão da toxoplasmose não ocorre pelo contato direto com o animal, o fato de acariciá-lo não representa risco de infecção para o ser humano pelos seguintes motivos.1. O período de eliminação de oocistos é muito reduzido,

2. Os oocistos precisam de, no mínimo, um dia no ambiente para se tornarem infectantes e portanto, o contato com fezes frescas não representa risco.

3. Mesmo durante a eliminação de oocistos, os gatos geralmente não apresentam diarréia. Esse fato, somado aos hábitos de higiene do animal, fazem com que não permaneçam resíduos fecais na região perianal, nem em sua pelagem, eliminando o risco de infecção dos humanos que o acariciem.

4. Mordidas e arranhões de gato são improváveis formas de transmissão do protozoário, uma vez que, mesmo durante a fase aguda da doença, dificilmente existirão taquizóitos na cavidade oral do felino e nas unhas, essa possibilidade é absolutamente nula.

A infecção por toxoplasma gondii pode sim ocorrer através da ingestão de água ou alimentos contaminados com oocistos esporulados de fezes de gatos, e ingestão de carne crua ou mal cozida com cistos ou taquizoítos. É bom que se diga que a carne fresca e a lingüiça de porco são as principais fontes de infecção por toxoplasma gondii, seguida de produtos ovinos, caprinos e de coelhos.

Desta forma, não podemos retroceder ao período das trevas e achar que os gatos só servem para acompanhar bruxas como se propagam nas historietas infantis ou então responsabilizá-los pelos grandes males que assolam a sociedade humana e sumariamente os condenarem à morte.

Sacrificados os gatos do Bosque Municipal, retornarão ao local os seus noturnos e antigos moradores, tais como os ratos e ratazanas oriundos da rede de esgoto, estes, sim, efetivos transmissores de doenças, tais como a leptospirose, peste bubônica, triquinose, tifo e etc.

Fátima Luísa Schroeder - bióloga da Ong Naturae vitae