Preferia o anonimato. Nada para aparecer nas colunas sociais. Quando aparecia, era sempre discretamente. Com a sua elegância peculiar. Seu sorriso tranqüilo, às vezes, malicioso. Durante quase vinte anos trabalhei na Tilibra, ocupando cargos diretos com a diretoria. Deu pra conhecer o diretor dr. Ruben Dário Carrijo Coube. Mais ou menos. Do que conheci: humano e fiel aos seus compromissos; nunca o vi agir de maneira grosseira ou com prepotência; atencioso, bem humorado. Não se deixou dominar pelo poder sócio-econômico do clã dos Coube. Como se costuma dizer: era um cara simples.
Não mais trabalhando na Tilibra, nos encontrávamos ocasionalmente, em eventos públicos. Nossas conversas eram sempre gostosas. Sobre artes, recordações e temas diversos, entremeados com algumas piadas. Muitas vezes confessou que gostava de me ver interpretando o “Monólogo das Mãos”. Generoso. Apesar de ouvi-lo poucas vezes, e pouco entender da arte musical, sentia que ele dominava com talento e maestria as teclas de um piano. Os entendidos em música, e foram muitos, me afirmavam que era um grande concertista.
Bem, na verdade estou na “A tribuna do leitor” para homenagear um homem que se fosse militar, chegaria ao generalato. Porque sabia conduzir seus comandados com energia, sem explosões, com humildade. Naturalmente. Com disciplina. Conversando baixo. Com discrição. Solidário quando amigos ou funcionários tinham sede de apoio moral ou necessidades materiais. Presente, com seu sorriso, repito, às vezes, prazenteiro, porém espontâneo. Um general sem pretensões de grandezas buscando medalhas. Acho que ele queria no seu peito um coração sempre alerta para ser bom. A sua partida encerra o ciclo da segunda geração Coube.
O General morreu. Deixando saudade nas lembranças de todos que conviveram ou trabalharam com ele. Ao General, as nossas continências.
Munir Zalaf - R.G. 2.726.959