08 de julho de 2026
Cultura

Artigo: Definitivamente diva

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 1 min

Com exatos 70 anos completados hoje, a cantora Dóris Monteiro continua (da mesma forma ou mais) encantando as platéias. A voz doce e sensual combinada com a delicadeza que envolve sua figura - mignon, ela continua com as medidas perfeitas e as roupas glamourosas que usava nos anos 60 - comoveram quem pôde ouvi-la cantar na noite de anteontem, durante show no Sesc.

O carisma de Dóris é tão presente que ela poderia cantar o que quisesse, apesar do set list trazer grande parte de suas pérolas das décadas de 50 a 70. Entre elas, “De Conversa em Conversa”, “Mocinho Bonito”, “Mudando de Conversa”, “Cara de Palhaço” e “Molambo”.

No palco, o clima intimista característico de seus shows prevaleceu. Ao fechar os olhos, a sensação era de que a diva cantava especialmente para cada um dos presentes. Não raro foi perceber lágrimas (ou feições de quase choro) no rosto de algumas pessoas da platéia, formada principalmente por aqueles que nasceram próximos ao nascimento de Dóris nos anos 30 e 40.

Apesar de pertencer a uma geração um pouco mais jovem (sou de 1980), pude sentir na pele a grande emoção provocada pela diva. Em “Copacabana” (aquela canção que fala da princesinha do mar e foi tema de novela), Dóris reafirmou a delicadeza de sua voz. Arrancou suspiros apaixonados com “Se Todos Fossem Iguais em Você”, e com “Valsa de Uma Cidade”, homenageou o público e agradeceu a boa acolhida em Bauru.

Depois de se despedir, Dóris voltou no bis e, para delírio do público, puxou os primeiros versos de “Ronda”. A platéia, de pé, entoou o restante da canção. E todos foram embora com a alma cheia de recordações do passado: amores, desilusões, alegrias e tristezas compartilhadas em uma noite de pura emoção.