Há quem diga que a Amazônia é mais conhecida dos estrangeiros do que dos brasileiros. Mesmo havendo um fundo de verdade pelo fato da selva ter inspirado cineastas, trazido ao Brasil o cantor Sting e o “Indiana Jones”, entre outros, a obra-prima da natureza brasileira está mais acessível aos bolsos tupiniquins.
Tanto assim que para lá tem ido muitos turistas, incluindo gente da região que se prepara com meses de antecedência para a nova empreeitada.
Cercada de mitos e mistérios, como a do peixe-boi e da sereia Iara - metade peixe, metade mulher, a região que engloba os Estados do Pará, Amazonas, Acre, Roraima, Tocantins, Amapá e Rondônia, além de parte de Mato Grosso, é instigante.
Não só pelo fato de abrigar a maior floresta tropical do mundo, mas pela diversidade de opções de passeio que oferece. Entre elas, caminhadas por trilhas com o cântigo de pássaros raros no ouvido, a pesca de peixes variados, como piranhas e tucunarés (sem esquecer o gigante amazônico, o pirarucu), passeios de canoa, focagem noturna de jacarés, igarapés e igapós, cachoeiras e muito mais que uma selva intocada oferece.
E, hoje, com todo o conforto, por conta dos hotéis de selva que propiciam ao turista o contato com a natureza, sem inconvenientes como aquelas terríveis picadas de carapanãs que tiravam o sono de quem, como eu, ousava conhecer a Transamazônica.
Se durante um bom tempo esses hotéis só eram freqüentados por turistas estrangeiros e endinheirados, como Bill Gates, hoje eles se tornaram mais acessíveis também aos brasileiros.
Através deles, o turista mantêm contato íntimo com a vida selvagem e conhece os costumes das comunidades caboclas e das aldeias indígenas.
Há hotéis para todo tipo de público: dos aventureiros à turma da terceira idade e casais em lua-de-mel, com a base, ou seja a aterrisagem dos vôos regulares ou fretados ocorrendo em Manaus.
Cidade fincada no coração do Amazonas, Manaus começou como um aldeamento indígena, construído ao redor de uma fortaleza, em 1669, que foi erguida para evitar que invasores holandeses aquartelados no Suriname (ex-Guiana Holandesa) tomassem conta da nossa terra.
O lugarejo foi se desenvolvendo, ganhando vários nomes como Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, recebendo finalmente o nome de Manáos, em homeagem à nação indígena Mãe dos Deuses, o mais importante grupo étnico habitante da região, reconhecido pela sua coragem e valentia.
Entre 1890 e 1910, graças à exportação da borracha natural, os governantes e comerciantes locais trouxeram da Europa centenas de arquitetos e paisagistas para a execução de um ambicioso plano urbanístico, que resultaria em uma cidade moderna e inovadora.
São dessa época a construção do Teatro Amazonas que surpreendeu o mundo com o seu luxo, requinte e beleza. Logo em seguida, Manaus ganhou sua universidade, um porto flutuante que acompanha a enchente e a vazante dos rios, importado da Inglaterra, assim como outros prédios públicos.
Em 1967, foi implantado na cidade a Zona Franca de Manaus, que valendo-se dos incentivos fiscais se transformou no maior pólo comercial e industrial existente na faixa do Equador.
Nela, estão concentradas muitas indústrias brasileiras de aparelhos eletrônicos, relógios, bicicletas, motocicletas, óculos, etc.