08 de julho de 2026
Rural

Expo quer resgatar tradições do campo

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 4 min

Mais que um evento de negócios e de entretenimento para os visitantes, a 31.ª edição da Grand Expo Bauru, que começa na próxima quinta-feira e vai até o dia 7 de novembro, irá resgatar as tradições “caipiras” que vêm perdendo força diante da globalização e dos avanços tecnológicos.

Para isso, além do parque de diversão, praça de alimentação, dos tradicionais shows artísticos e dos espaços reservados ao agronegócio, a feira deste ano agregou à sua programação eventos fortemente ligados ao “homem do campo”, como rodeio e missa em uma capelinha.

“A feira vem se desvirtuando com o tempo, mas continua sendo um evento agropecuário, com uma tradição da qual a gente não consegue ‘se apartar’ e que não pode se perder”, defende Orlando Lamônica Júnior, presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), entidade que organiza a Expo Bauru.

E para abrir com chave de ouro essa nova tendência da feira bauruense, a Arco estará promovendo amanhã uma cavalgada, que será encerrada com a tradicional Queima do Alho (leia texto abaixo). A programação é reservada a convidados e ao pessoal que vai trabalhar na exposição, mas servirá para “esquentar a feira”, na avaliação de Lamônica.

“Muito mais que promover a feira que começa na semana que vem e promover a confraternização de seus participantes, o evento deste sábado quer mostrar aos bauruenses o que a cavalgada e a Queima do Alho significam para os homens do campo”, explica Lamônica.

A “tropa” de peões sairá amanhã, às 9h, do Recinto de Exposições Mello Moraes, percorrerá as avenidas Comendador da Silva Martha e Getúlio Vargas, até a cabeceira do aeroporto, retornando pelo mesmo trajeto. Na chegada, a Queima do Alho garantirá a alimentação dos peões participantes.

A uma semana da abertura oficial ao público, o recinto de exposições já apresentava ontem a agitação de uma feira agropecuária, com a chegada de vários animais que participarão da exposição e dos 16 leilões programados - no ano passado foram apenas cinco.

Na arena central, onde acontecerá o rodeio, cerca de 20 tratadores participavam de um curso de doma de gado zebu, promovido pela Associação Paulista de Criadores de Nelore (APCN).

Programação eclética

A opção pelo resgate das tradições caipiras não impediu que a organização da Expo Bauru recorresse à diversificação de suas atrações artísticas com o objetivo de atrair um público até 40% maior que o registrado na edição do ano passado, quando passaram pelo recinto de exposições cerca de 160 mil pessoas.

O destaque do caráter eclético da programação artística deste ano será a banda Sepultura, expoente brasileiro e mundial do death metal (um rock’n’roll pra lá de pesado), que compartilha a grade de shows com outras vertentes do estilo - da tradição do Ira! ao pop romântico de Felipe Dylon - e também com os tradicionais nomes do universo sertanejo.

Lamônica argumenta que a cidade possui cerca de 45 mil estudantes e que a Expo Bauru quer contemplar também este público.

“Queremos trazer essas pessoas para a feira, oferecendo o que para elas também é tradição. Por isso, teremos moda de viola, sertanejo, rock, até Os Incríveis, ou seja, música para todos os gostos” argumenta Lamônica.

____________________

Queima do Alho será realizada amanhã

A expressão “queima do alho” surgiu nas comitivas de peões que transportavam boiadas pelo interior do País. Nessas Jornadas, os cozinheiros seguiam à frente até os locais de pouso para preparar a refeição da tropa. Quando a comida ficava pronta, o berranteiro (peão encarregado pelo berrante) avisava a tropa entoando um toque específico em seu instrumento. Neste momento, os peões comentavam: “Já começou a queima do alho”.

Para resgatar esta tradição que praticamente já se perdeu no pó da estrada, a Expo Bauru estará promovendo amanhã, logo após a cavalgada, uma espécie de “torneio” da Queima do Alho, com a participação de sete duplas de Bauru e cidades da região, como Avaí e Piratininga, que representarão suas respectivas comitivas.

O concurso, com regras simples, será vencido pela dupla (cozinheiro e ajudante) que preparar a comida mais saborosa no menor tempo possível. Cada equipe recebe os ingredientes em porções iguais, devendo usar os apetrechos tradicionais - panela de pressão, nem pensar!

As comitivas indicarão ainda um berranteiro e uma dupla de cantadores, que também disputarão torneios em suas categorias e serão avaliados por um júri.

Para o presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), Orlando Lamônica Júnior, o evento é muito mais que uma competição. “O objetivo é justamente resgatar o lado tradicional da realidade do homem do campo. A Queima do Alho é o próprio rancho do peão no meio do nada”, explica o dirigente.