09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Gato Huno, o mestre


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Dias atrás, visitei um velho amigo de longa data, o Gato Huno. Estava ele em seu refúgio espiritual, um mosteiro próximo a Bauru. Queria saber de sua opinião a respeito das eleições da nossa cidade. Foi logo detonando: “Você sabe quantos ângulos tem uma esfera?” “Sei lá”, respondi. “É assim que as coisas devem ser. Você tem que ver as coisas de todos os ângulos possíveis e imagináveis. Os políticos vêem as coisas de forma simplista, fazem promessas, pensam que nada mudou neste Brasil.” “Mas qual a razão de você me dizer isso?”, perguntei. “Bauru está à beira da insolvência. Problemas de toda ordem: obras inacabadas, dívidas, buracos nas ruas, e tudo aquilo que se foi acumulando nos últimos tempos por falta de vontade política. Só mesmo um pacto político poderia começar a resolver”, respondeu. “Teria mais alguma coisa a acrescentar?”, insisti. “Se um candidato - continuou - tem uma ótima proposta e não ganha a eleição, ou passa o projeto para o vereador de seu partido ou coligação eleito continuar, ou elabore uma série de emendas de iniciativa popular. Não deixe para a próxima eleição. Eles têm projetos de poder, não projetos para o bem comum.” “Bauru, pela primeira vez na história, terá segundo turno. Você tem algum conselho a dar para os eleitores?” Ele respondeu: “Ou você embarca no trem da história, ou você é atropelado pelos acontecimentos. Só os estadistas visualizam além do horizonte.”

Este foi o último contato que tive com o Gato Huno antes dele retornar ao seu longo período de meditação.

José Carlos Felix de Abreu - RG. 9.914.647