A Receita Federal apreendeu na madrugada de anteontem, na rodovia Raposo Tavares, nas proximidades de Paraguaçu Paulista, um dos maiores carregamentos de produtos eletrônicos dos últimos tempos na região, segundo avaliação do delegado Luiz Pontel, da Polícia Federal (PF) de Presidente Prudente, que coordenou a operação. O valor estimado total do carregamento é de R$ 1 milhão.
O delegado da Receita Federal em Bauru, Marcos Rodrigues de Mello, ainda não contabilizou todo o carregamento, mas também entende que este é um dos maiores já encontrados na região. São TVs com tela de plasma, data-shows, máquinas fotográficas digitais, DVDs, entre vários outros produtos eletrônicos de última geração.
Devido ao grande volume de aparelhos, Mello estima que apenas na próxima terça-feira a Receita Federal conseguirá terminar os trabalhos de contagem e catalogação das mercadorias. “Mas como são produtos com um alto valor agregado, acreditamos que a apreensão deve chegar a cerca de R$ 1 milhão”, diz Mello, citando como exemplo caixas de som profissional avaliadas em R$ 20 mil. Com relação aos cigarros - cerca de 800 caixas com 50 pacotes cada -, a Receita não faz estimativa de valores, pois o produto será destruído.
Com base em denúncia anônima, os policiais federais de Prudente surpreenderam num posto da rodovia Raposo Tavares três motoristas que conduziam dois caminhões carregados com materiais eletrônicos e uma carreta com cigarros. Os motoristas, que acabaram presos, apresentaram notas fiscais frias de um carregamento de farinha de mandioca. Ao vistoriar os caminhões, policiais encontraram os produtos ilegais escondidos embaixo de alguns sacos de farinha.
Segundo Mello, o carregamento foi transferido para Bauru devido ao fato de a cidade abrigar o maior depósito da Receita Federal do Interior do Estado de São Paulo. Pelas características da apreensão, ele acredita que o material tenha sido comprado em Miami (EUA) por contrabandistas no Paraguai e que, do país vizinho, seguia ilegalmente para a Capital paulista. A infração foi caracterizada como descaminho (entrada de material no País sem recolhimento de tributos), crime que prevê pena de reclusão de um a quatro anos.
Megaleilão
Depois de catalogada e avaliada, a Receita Federal aguardará a conclusão pela Justiça do processo de investigação criminal para definir a destinação da carga apreendida - parte dela poderá ser doada a órgãos públicos e entidades sem fins lucrativos, e a outra pode ser leiloada.
Mello adiantou que a Delegacia da Receita Federal em Bauru está planejando para até 15 de dezembro a realização de megaleilão de mercadorias apreendidas. Segundo o delegado, o objetivo seria o de desafogar o depósito do órgão na cidade, além de promover a arrecadação de um bom volume de recursos para a União.