Dar um “puxão de orelha” coletivo. Foi esse objetivo do promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel Oliveira, ao reunir ontem à noite, no Fórum, mais de 200 pessoas, entre pais e alunos de escolas da Zona Leste. Todos os “convidados” foram alertados sobre os riscos da evasão escolar no ensino fundamental, problema definido como crime no Código Penal.
“É obrigatório (freqüentar o ensino fundamental). O não-encaminhamento (da criança à escola) é crime de abandono intelectual”, reitera Oliveira, que enxerga no encontro um meio para derrubar o número de faltosos em duas escolas municipais e três estaduais, situadas em bairros como os núcleos habitacionais Mary Dota e Beija Flor.
De acordo com ele, foram convocados 140 estudantes. Mas nem o promotor nem a Diretoria de Ensino da Região de Bauru souberam informar o percentual que eles representam do total de alunos matriculados nestas cinco instituições. Mesmo sem estatísticas oficiais nas mãos, a supervisora de ensino que representou a dirigente regional de ensino na reunião, Maria Manoela Maschietto Brito, acredita que a evasão escolar já esteja diminuindo em Bauru.
Mais ponderada, a presidente do Conselho Tutelar, Sandra Cristina Ferreira, percebe empiricamente (pelos atendimentos que faz) a manutenção nos índices de faltas nas escolas. No entanto, é consenso entre as duas que o trabalho desenvolvido pelo Ministério Público deve ajudar a tornar o problema menos significativo na cidade.
“Os órgãos ligados à educação têm feito um esforço muito grande (visando a redução das faltas). Para que a permanência do aluno se efetive, precisa haver o envolvimento da família. Ela é a grande parceira”, diz Manoela Brito.
Porém, alguns pais desdenham a escola por não compreenderem a importância dela, afirma Oliveira. “A escola prepara a pessoa para o trabalho, proporcionando desenvolvimento pleno (do ser humano), além de preparar para o exercício da cidadania. Somente através da educação é que se consegue mudar a realidade social e econômica”, alerta o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer.
Segundo o magistrado, a maioria dos adolescentes infratores é analfabeta, tem baixa escolarização ou abandonou a escola. Na opinião de Maintinguer, a evasão escolar empurra o jovem à exclusão social, além de favorecer o envolvimento com más companhias e até o contato com entorpecente, por exemplo. Ontem à noite, JC não conseguiu localizar a secretária municipal de Educação, Solange Ferreira dos Reis, para comentar o problema.