11 de julho de 2026
Economia & Negócios

500 procuram o Bolsa-Família na CEF

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

A agência Bauru da Caixa Econômica Federal (CEF) abriu excepcionalmente ontem, das 9h às 13h, para um atendimento específico de entrega dos cartões do Bolsa-Família, programa do governo federal de distribuição de renda. O objetivo da iniciativa era fazer com que famílias que tiveram sua inclusão aprovada no programa e que ainda não haviam recebido o cartão para saque do benefício pudessem recebê-lo.

O anúncio na imprensa, no entanto, acabou levando à agência de Bauru um grande número de pessoas que, mesmo tendo feito sua inscrição, ainda não foram contempladas com a aprovação de seus cadastros. No final do esquema especial de atendimento, apenas 32 cartões foram entregues a pessoas que na mesma hora cadastraram suas senhas e puderam realizar o seu primeiro saque.

Segundo a assessoria de imprensa da CEF, a agência de Bauru ainda ficou com cerca de 330 cartões em seus arquivos, à espera de seus donos. Estes cartões são os remanescentes de um lote que chegou à cidade em meados de setembro. As cerca de 500 pessoas que foram à agência mas não encontraram o cartão, receberam orientações e ouviram a explicação de que a responsabilidade pela aprovação do cadastro é do governo federal e que a CEF apenas distribui os cartões.

Foi o que escutou a desempregada Luciana Cristina Ramiro, 21 anos, uma das que receberam a notícia de que seu nome não estava na lista dos aprovados no programa. Moradora de Piratininga, Luciana conta que o marido também está desempregado e que o casal sustenta os quatro filhos com trabalhos temporários e alguns “bicos”.

“Me inscrevi em junho de 2001, mas vou continuar esperando”, diz a desempregada, inconformada com o fato de que pessoas que fizeram a inscrição muito depois dela já começaram a receber o benefício. Mesmo tendo sido orientada a telefonar antes de procurar a CEF, Luciana diz que vai “continuar passando (na agência)” sempre que vier à cidade.

Alívio

Humor diferente apresentava a dona de casa Ângela Aparecida da Silva, que ainda na fila de cadastramento de senha, não conseguia conter a felicidade por encontrar o seu cartão nos arquivos da CEF. Moradora do Ferradura Mirim, ela diz que não recebeu a carta informando sobre a aprovação de seu cadastramento porque sua rua não possui serviço de correio.

Separada do marido e com quatro filhos para criar, Ângela terá direito ao benefício máximo de R$ 95,00 previsto pelo programa - R$ 50,00 de parcela fixa por estar classificada como em “estado de extrema pobreza”, mais R$ 15,00 por filho matriculado na escola. Ela diz que recorreu ao programa após a separação e que, nos últimos tempos, vinha sustentando a família com algumas faxinas e com a coleta de lixo. “Esse dinheiro vai ajudar muito”, admite.

Aliviado por receber o cartão, mas insatisfeito com o valor de R$ 30,00 que sacou ontem mesmo, o desempregado Patrick Castilho Bernardo, 25 anos, questionou os critérios do Bolsa-Família. Ao lado da mulher Adriana Francisca dos Santos, 28 anos, também desempregada, Bernardo queria entender por que não poderia receber a parte fixa de R$ 50,00 do benefício.

O casal, morador da Pousada da Esperança 2, possui quatro filhos - dois deles matriculados na escola, o que garantiu o benefício de R$ 15,00 por filho - fez a inscrição no programa há cerca de um ano e acabou não sendo notificado da chegada do cartão porque mudou de endereço. “A gente queria mais, mas estamos contentes”, disse, ainda na frente do caixa eletrônico em que sacou o benefício.

A CEF orientou todas as pessoas que foram ontem à agência e não conseguiram encontrar seus cartões para que se informem sobre a questão antes de se dirigir ao banco. Para isso, a agência Bauru, que também distribui cartões das cidades de Piratininga e Cabrália Paulista, disponibilizou o telefone 0800-574-0101 (ligação gratuita), no qual um funcionário informará aos inscritos no Bolsa-Família se o cartão já chegou ou não à cidade.