09 de julho de 2026
Regional

Migração dos pomares é um movimento previsto pelo setor

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A citricultura é muito dinâmica é muito importante para o Estado, avalia o agrônomo Marcelo Lima. “Existem muitos grupos relacionados à citricultura. Estamos constantemente discutindo os problemas do setor. Há pesquisadores de renome internacional que estão sondando a região de Bauru.”

O agrônomo acha que a região de Lins está ganhando investimentos na citricultura. “Lins está expandindo os pomares. O pessoal está fugindo da região norte do Estado, por causa das doenças sérias que atinge as plantações de laranja. Num prazo de três anos, apareceram três ou quatro tipos de doenças. Algumas não se sabe se é vírus ou bactéria porque a pesquisa é muito lenta.”

De acordo com ele, os citricultores de Barretos, Bebedouro, Olímpia, Monte Azul e Araraquara estão investindo na região de Mogi Mirim e Mogi Iguaçu. Na região de Bauru há muitos investidores procurando terras para comprar e arrendar.

Lima ressalta que técnicos do Grupo Votorantin estão em Bauru fazendo contatos para arrendamento de terras. “Nos próximos dez anos, com certeza, o mercado vai expandir. Os problemas com tempestade e tufão ocorridos na Flórida beneficiaram a cultura de laranja em nosso País”, avalia.

Na opinião do agrônomo Roberto Salva, doenças como o CVC e morte súbita obrigaram os grandes produtores a procurar novas regiões. “Essas doenças matam a planta. As condições climáticas do atual pólo citrícola favorecem o aparecimento delas”, alerta.

As plantações da região central e sul do Estado estão sujeitas a outros tipos de doenças. “Doenças menos graves, como a pinta preta. Doenças curáveis e que com controle e manejo adequados resolvem.”

De acordo com ele, na região de Bauru, Botucatu e Avaré há extensas áreas de empresas de grande porte com pomares em desenvolvimento ou em fase de implantação. “Os produtores que estão se deslocando para essa região são mais conscientes. Adquirem grandes propriedades e investem em tecnologia e produtividade para conseguir qualidade de fruto.”

A Fazenda Shangrilá (rodovia Bauru-Marília) tem 120 mil pés de laranja, sendo que 50% deles ainda não estão produzindo - são plantas jovens. A produção anual deste ano deve chegar a 40 mil caixas. O engenheiro agrônomo responsável pelo cultivo da laranja na propriedade, Marcelo Lima, é enfático em dizer que na região de Bauru é possível produzir frutos bons para mesa e para a indústria.

Segundo ele, a laranja produzida na região é de boa qualidade. “A laranja de mesa tem que ter boa aparência e exige mais tratos culturais, porque o consumidor come com os olhos. Essa fruta tem que ter um padrão médio, totalmente amarelinha e sem defeito algum na casca. Enquanto na fruta destinada para a indústria o que importa é o teor de açúcar. A fruta colhida aqui tem teor de açúcar muito bom.”

Ele acha que a região é uma área propícia para este tipo de cultura. “As doenças que atacam as plantas nessa região são doenças de raízes, comuns para o citricultor, fácil de controlar. Doenças mais sérias não temos.”

O segredo para a produção de frutos bons começa com as mudas, ensina o agrônomo. “Atualmente, as mudas são produzidas em viveiros telados, protegidas de qualquer bactéria ou vírus.”

A planta começa a produzir a partir do terceiro ano. “No começo, produz menos de meia caixa. A partir do segundo ano, passa para uma caixa por planta, em média. A média do Estado é duas caixas por planta. Nos pomares bem tratados, como o nosso e de outras empresas grandes, a média é de quatro caixas por planta.”

O melhor mercado para a fruta de mesa, segundo o agrônomo é São Paulo. “Temos a possibilidade de exportar. Ainda não estamos exportando. As frutas para a indústria estamos enviando para a cidade de Mirassol.”

Se o produtor conseguisse uma área para produzir laranjas que tivesse o inimigo natural das pragas que atacam a fruta, o preço final sofreria uma queda, pondera Lima. “Devido à degradação, desmatamento e queimadas não temos mais os controles de pragas naturais e por isso temos que fazer várias pulverizações que encarecem a produção.”