08 de julho de 2026
Bairros

Artista de rua quer ‘brincar’ com a cidade

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

“Agente faz isso

para brincar

com a cidade.” A

afirmação é deMárcia

(nome fictício),

uma das artistas responsáveis

pela famosa

joaninha - a

pedra pintada de

vermelho e preto -

da avenida Nações

Unidas.

Márcia cursa desenho

industrial na

Universidade Estadual

Paulista

(Unesp) e conta

que começou a intervir

a partir dos

painéis feitos em

jornal e espalhados

pela cidade com cola

feita à base de farinha.

“A primeira vez

que eu vi street art

eu nem sabia o que

era. Eu estava andando

pela cidade

e reparei que havia

alguns desenhos colados.

Como eu gosto

de desenhar,

achei bacana”, diz.

Posteriormente,

Márcia passou a

confeccionar adesivos

coloridos de vinil

(material utilizado

em banners) e espalhar

pela cidade,

principalmente em

telefones públicos.

Os temas mais

recorrentes nos adesivos

eram animais

e comestíveis. Mas o trabalho

de Márcia ficou mais conhecido

no meio através dos

palhaços coloridos colados

em orelhões.

“A proposta era de ser engraçado

mesmo. Se a pessoa

subisse a Duque de Caxias,

por exemplo, ela veria várias

coisinhas coloridas. É uma maneira

de enxergar Bauru de

uma outra forma, de uma forma

mais engraçada”, revela.

Um dos objetivos dos colantes

seria estimular a percepção

das pessoas que passam

pelo local. “O objetivo era

transformar Bauru num universo

paralelo para quem prestasse

atenção nisso. Era para a

pessoa viajar nessa idéia e

querer ver o que haveria no

próximo orelhão. Se eu andar

pela cidade e ver um colante,

eu vou querer ver mais e vou

ficar mais atenta”, destaca.

Os adesivos duravam pouco

tempo porque, segundo a

estudante, ou as pessoas pegavam

para levar para casa, ou

eles eram retirados por funcionários

de manutenção da empresa

de telefonia.

Já a “joaninha” da avenida

Nações Unidas foi pintada

por Márcia em parceria com

um colega de faculdade. “Eu

estava com um amigo, vi a pedra

branquinha e pensei que

seria muito legal fazer alguma

coisa nela.

A pintura foi realizada no

período da noite. O colega pintou

a parte vermelha e Márcia

fez os detalhes em preto. O

trabalho durou cerca de quatro

minutos. “Foi rápido, mas

ficamos com muito medo de

vir polícia ou de alguém falar

alguma coisa”, confessa.

Ela diz que não pretende

sujar a cidade. “A idéia é

brincar com as pessoas, fazer

com que elas fiquem maravilhadas

com aquilo ou que até

mesmo fiquem se indagando

se aquilo está certo ou não.

Ou apenas para a pessoa perceber

que ali existe uma pedra”,

expõe.