09 de julho de 2026
Política

Tuga e Caio trocam farpas em debate

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

A uma semana da primeira eleição municipal com segundo turno em Bauru, os candidatos Caio Coube (PSDB) e Tuga Angerami (PDT) levaram para o penúltimo debate de televisão, realizado na noite de sábado pela TV Preve, críticas que estavam sendo veiculadas apenas nos programas eleitorais gratuitos de rádio.

A eleição entra na reta final em clima quente, com os candidatos culpando mutuamente as assessorias dos adversários pela onda de ataques. No debate promovido pela TV Preve, o tucano iniciou as alfinetadas políticas cobrando de Tuga o respeito à ética. “Você afirmou que a propaganda da aliança Muda Bauru no final do primeiro turno foi ofensiva, mas na verdade o juiz tirou do ar por ser usado tempo de vereador. Houve citações à sua aposentadoria como deputado federal e à sua relação com o Quércia. O que está acontecendo, onde está o compromisso com a ética? A velha política está de volta?”, lançou Caio na sua primeira intervenção direta com Tuga na TV Preve.

O pedetista reagiu. “O Caio é um homem preparado, mas para manipular fatos. Um dos fatos que ele manipula é que a minha coligação rompeu com a ética para atacá-lo. Gostaria que os jornalistas ouvissem os programas de rádio para ver quem iniciou os ataques. E usa a tática do rádio peão. Remunera pessoas nas ruas para levantar fatos contra a minha honra e à minha família, o que é inadmissível. E uma campanha rica realmente pode fazer isso, ficar em filas de banco, nas ruas, pra ficar plantando notícias ofensivas. Essa tem sido a tática. Todos os boatos que têm chegado são feitos por peões da sua candidatura. Você é competente em posar como aristocrata e bancar essas ações”, respondeu Tuga.

Na réplica, Caio tentou reforçar a posição de que a estratégia de manipulação é de seu adversário. “Não tenho sua capacidade de manipular os fatos. Todos conhecem sua capacidade. O melhor especialista de boatos na política de Bauru você conhece bem e é seu companheiro na coligação do PSB. A minha campanha é financiada pela minha família e tem a mesma estrutura que a sua, que não sei quem paga”, alfinetou.

A troca de farpas prosseguiu com Tuga acusando Caio de estimular boatos. “Te ensinaram como plantar boato, mas não te ensinaram o que é rádio peão. E acho que esses boatos não estão fazendo efeito, não. Estou recebendo ligações sobre boatos de filas de banco, filas de supermercado, com coisas ofensivas. Gostaria que você orientasse os seus especialistas (plantaram que eu já estava morto, que eu nem moro em Bauru), que isso é uma técnica nazista, pra acabar com isso. Gostaria de tê-lo como um companheiro se chegasse à prefeitura”, concluiu o candidato do PDT na primeira rodada de embate direto.

Golpes e contra-golpes

Na seqüência, foi a vez de Tuga iniciar o ataque. “Caio, no seu programa você trabalha a idéia de que é um bom administrador. Por outro lado, você foi presidente do Noroeste e qualquer bauruense sabe que você pegou o Noroeste na primeira divisão e o deixou na segunda. No seu mandato, você lançou o título do Noroeste Campestre, que acabou não dando certo. Como você explica essas ações? Você fez algum esforço para devolver esses valores pagos?”, indagou.

Caio historiou sua participação à frente do Noroeste. “As informações que lhe deram não estão exatamente corretas porque eu, em 1990, era vice-presidente do senhor Reinaldo Galli e assumi a presidência quando o Noroeste já estava na segunda divisão. Em 1991 conseguimos subir à primeira divisão e quase levamos o Noroeste à série A. É verdade que em 1993 nós conhecemos o sabor do rebaixamento. Faz parte da vida esportiva”, disse.

O tucano ainda utilizou seu tempo para comentar a segunda parte da questão. “Vejam vocês bauruenses, quantas pessoas de Bauru tiveram a coragem e disposição de dirigir uma atividade profissional no futebol. Tive essa postura e muitas vezes coloquei dinheiro do meu bolso para honrar os compromissos. O projeto do Noroeste Campestre foi lançado pelo doutor Reinaldo Galli e eu apenas dei continuidade e foi adquirida uma área próxima de Piratininga. Pensava-se que essa era uma alternativa para o clube. Esse conceito demonstrou-se limitado e o financiamento do futebol profissional tem que ser buscado de outra forma”.

Tuga insistiu na questão. “Não ficou dada a resposta com relação à venda dos títulos. Tenho matérias do jornal com você como presidente anunciando a compra de tobogã. As pessoas perguntam onde estava a área, que parece que foi perdida em uma ação trabalhista de um jogador contra o time. Tenho carnês aqui. Você poderia minimizar um pouco seus elogios como administrador privado de sucesso até porque você não tem experiência alguma como administrador público”, instigou o adversário.

O tucano procurou não polemizar. “Aceito esse esforço político do meu adversário e essa tentativa de atingir a minha imagem. Os clubes têm a presidência rotativa. Se algumas pessoas perderam títulos não diz respeito ao período em que estive à frente da presidência. Da mesma forma que atuei no Noroeste, levei o Bauru Basquete à campeão paulista e brasileiro”, disse.

Troco

Caio Coube deu o troco na provocação na primeira oportunidade que teve para perguntar. “Você exerceu dois mandatos como deputado federal pelo PSDB, deixou a legenda e em 2000 concorreu à prefeitura pelo PSB, depois filiou-se novamente ao PSDB, mas resolveu sair. Nos seus pronunciamentos você tem sido crítico sistemático do PSDB. Esse posicionamento de crítico contumaz é coerente com sua trajetória política?”, indagou.

Tuga argumentou que não vem fazendo críticas ao PSDB em seu programa eleitoral. “Meus programas não têm feito críticas a ninguém, nem ao PSDB nem a partido nenhum. Nós temos apresentado propostas. Tenho dito o que tenho feito e o que queremos realizar. Críticas eu fiz quando fui deputado federal e lutei sim contra a fúria privatista do PSDB. E até hoje eu sou crítico. Pergunto se a população está contente com as privatizações, o que paga nos serviços telefônicos, de energia. A população está contente com esses serviços?”

O pedetista tentou propor um pacto pelo fim dos ataques nesta reta final. “Com relação a ataques no rádio, o seu programa começou com ataques a mim e provocou respostas, não ataques. Pare com os ataques que eu seguro o meu pessoal para que não responda. Eu convido os jornalistas para serem fiscais do seu programa e do meu. Eu sempre fui coerente com minhas posições. Eu critiquei o PSDB quando ele traiu o seu programa”, apontou.

Caio ponderou que o PSDB fez a maior rede de proteção social do País e gerou a estabilidade econômica com a criação do Plano Real. “Eu tenho muito orgulho de ser do partido e tenho orgulho de ser do partido como do FHC, Covas, Alckmin, José Serra. Em 1990, José Serra teve mais de 300 mil votos, o que fez com que o Tuga fosse eleito. Depois, o Franco Montoro teve muitos votos e isso fez com que o Tuga fosse eleito. Ele deve muito a eles”, rebateu.

Tuga concordou que o PSDB tem figuras públicas importantes citando, entre os personagens, o ex-governador do Estado Mário Covas. “Mas a questão é que o PSDB pegou setores produtivos e privatizou. E pior, utilizou recursos de venda de estatais para pagar juros. O próprio José Serra defendeu que uma parte desses recursos fosse utilizado no Brasil para gerar infra-estrutura. Dentro do PSDB existem críticos a essas medidas”, emendou.