Conheci-o por ocasião de um jantar em que a diretora da Escola Estadual Ernesto Monte, professora Heloíse Helena, prestava merecida homenagem ao patrono da escola. Era, então, prefeito de nossa cidade. Todavia, não comparecia ali como prefeito, mas como ex-aluno da escola. E, com renovado orgulho, jactava-se de somar-se ao coral entoando o hino do educandário. Falo do ex-prefeito Tidei de Lima. E faço-o muito à vontade por sabê-lo, agora, fora do poder.
O Jornal da Cidade do último dia 7 fala de homenagem prestada a Sua Excelência, enaltecendo a obra de sua administração que “possibilitou o remanejamento de 574 famílias que residiam à margem de córregos, colocando-as em casas de alvenariaâ€. Traduzindo: restituiu a dignidade de gente como a gente, vegetando à margem da vida.
Se prefeito fosse desta cidade e recebesse inspiração bastante para edificar uma obra de utilidade transcendental, escolheria, por certo, a construção do viaduto ligando dois bairros tão importantes, mais populosos que centenas de cidades paulistas. Leigo confesso, não me cabe o direito de discutir a maneira como fora perpetrada a construção do então esqueleto que aí se encontra. Com a palavra os técnicos.
Mas convenhamos que só um homem de visão conseguiria vislumbrar o quão necessária é a execução desta obra. Como afirmei acima sou leigo confesso em edificações de obras tão importantes. Mas não me considero leigo em política educacional.
E, com tristeza imensa, não ouvi dos candidatos a prefeito algo que prenunciasse sequer um vislumbre visando à melhoria do ensino público. Dir-me-ão: o magistério municipal terá seu sonhado estatuto. Verdade. Mas só o estatuto não basta. Nossos abnegados professores - meus colegas - carecem de constantes reciclagens, a exemplo do que ocorre com todo profissional que se respeita.
Um aluno mais entusiasmado, agora cirurgião-vascular, confessa:
- O senhor foi o melhor professor que eu tive.
- O doutor diz isso porque não conheceu os professores que me prepararam!
Ilustres candidatos Caio Coube e Tuga Angerami, que a política educacional de Bauru não se espelhe na política educacional do Estado. Não tenho - infelizmente - mestrado ou doutoramento na área educacional. Tenho tão somente um curto período que se estende de 1958 a 1999 como mestre-escola. Vi chegar a televisão, o computador, o sedex, o xerox, vi o homem pousar na Lua.
Tudo, tudo, evoluiu. Retrocesso apenas na Educação. Com uma advertência das mais sérias: alunos há que completam o Ensino Fundamental sem domínio da leitura. Incapazes de redigirem um bilhete. Pensem nisso!
Alvaro Baptista Pontes - RG 2.477.567