Há um ano, Lucy Pires de Moraes Arruda, 20 anos, era só esperança. Ela acreditava que finalmente sua luta em busca de um emprego estava chegando ao fim. Na época, o governo federal fazia alarde sobre a criação do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE). Mas não passou disso. Transcorridos 12 meses do lançamento, nenhum órgão oficial de Bauru foi informado sobre como implementar o projeto no município.
Se as orientações não chegaram à Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), órgão do governo estadual, nem à subdelegacia do Ministério do Trabalho, órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), quanto mais a Lucy. Ela, mesmo sem expectativas de ser beneficiada pelas ações do poder público definidas como capazes de inserir os jovens no mercado de trabalho, continua peregrinando por empresas e pontos comerciais.
“Não sei exatamente como funciona (o PNPE), mas achei que poderia me ajudar. Sonho em trabalhar desde os 15 anos. Com 18 comecei a procurar mesmoâ€, conta. Em alguns períodos do ano, ela e o marido mototaxista fazem malabarismo para passar o mês com aproximadamente dois salários mínimos.
Apesar da renda não ser alta, ela seria um entrave para que Lucy fosse contemplada pelo programa (veja quadro abaixo). No entanto, se o casal dependesse dessa iniciativa pontual do governo federal para encontrar uma saída à vida de restrições, teria de exercitar a paciência.
Paciência
Diretor regional da Sert, Alexandre Ciro Perin Bertoni, não tem previsão de quando o programa do primeiro emprego será implantado no município. Já a assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho diz que em semanas ele poderá ser implementado. É que dentro deste prazo será disponibilizado via Internet um novo software para substituir o Sistema Integrado de Gerenciamento de Ações de Emprego (Sigae), que ainda deveria ser instalado na Sert de Bauru. O sistema, em rede e online, interligaria os postos da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho.
“Aqui no nosso caso estamos fazendo um empenho em tê-lo (Sigae). Mas para isso, a Sert teria que fazer a substituição dos hardwares (micros, impressoras etc), que são antigos. Depois teríamos de instalar o software (programa). Os recursos são do governo federal. Mas não é só isso, a equipe (usuária do programa) terá de passar por uma reciclagemâ€, explica.
Mas o esforço não será mais necessário. Por ser mais simples, o novo programa é mais fácil de ser instalado e aplicado, embora tanto a Sert quanto a subdelegacia do Ministério do Trabalho ainda o desconheçam.
“A sintonia entre o Ministério do Trabalho e as secretarias de Trabalho dos Estados ainda não é a ideal. Não chegou nenhuma informação. Oficialmente, o ministério não conversou com Bauruâ€, afirma Bertoni.
Além da Sert, a subdelegacia do Ministério do Trabalho da cidade também não recebeu orientações sobre como implementar o PNPE. De acordo com a subdelegada, Maria Rita Maringoni, as subdelegacias não estão participando do processo de instalação do programa.
Mesmo assim, quando foi lançado nacionalmente, cerca de meia dúzia de jovens procuraram o órgão para buscar informações, comenta Maringoni. O mesmo esforço ela não constatou entre os empresários.