10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Primeiro Emprego não chega a Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Há um ano, Lucy Pires de Moraes Arruda, 20 anos, era só esperança. Ela acreditava que finalmente sua luta em busca de um emprego estava chegando ao fim. Na época, o governo federal fazia alarde sobre a criação do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE). Mas não passou disso. Transcorridos 12 meses do lançamento, nenhum órgão oficial de Bauru foi informado sobre como implementar o projeto no município.

Se as orientações não chegaram à Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), órgão do governo estadual, nem à subdelegacia do Ministério do Trabalho, órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), quanto mais a Lucy. Ela, mesmo sem expectativas de ser beneficiada pelas ações do poder público definidas como capazes de inserir os jovens no mercado de trabalho, continua peregrinando por empresas e pontos comerciais.

“Não sei exatamente como funciona (o PNPE), mas achei que poderia me ajudar. Sonho em trabalhar desde os 15 anos. Com 18 comecei a procurar mesmo”, conta. Em alguns períodos do ano, ela e o marido mototaxista fazem malabarismo para passar o mês com aproximadamente dois salários mínimos.

Apesar da renda não ser alta, ela seria um entrave para que Lucy fosse contemplada pelo programa (veja quadro abaixo). No entanto, se o casal dependesse dessa iniciativa pontual do governo federal para encontrar uma saída à vida de restrições, teria de exercitar a paciência.

Paciência

Diretor regional da Sert, Alexandre Ciro Perin Bertoni, não tem previsão de quando o programa do primeiro emprego será implantado no município. Já a assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho diz que em semanas ele poderá ser implementado. É que dentro deste prazo será disponibilizado via Internet um novo software para substituir o Sistema Integrado de Gerenciamento de Ações de Emprego (Sigae), que ainda deveria ser instalado na Sert de Bauru. O sistema, em rede e online, interligaria os postos da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho.

“Aqui no nosso caso estamos fazendo um empenho em tê-lo (Sigae). Mas para isso, a Sert teria que fazer a substituição dos hardwares (micros, impressoras etc), que são antigos. Depois teríamos de instalar o software (programa). Os recursos são do governo federal. Mas não é só isso, a equipe (usuária do programa) terá de passar por uma reciclagem”, explica.

Mas o esforço não será mais necessário. Por ser mais simples, o novo programa é mais fácil de ser instalado e aplicado, embora tanto a Sert quanto a subdelegacia do Ministério do Trabalho ainda o desconheçam.

“A sintonia entre o Ministério do Trabalho e as secretarias de Trabalho dos Estados ainda não é a ideal. Não chegou nenhuma informação. Oficialmente, o ministério não conversou com Bauru”, afirma Bertoni.

Além da Sert, a subdelegacia do Ministério do Trabalho da cidade também não recebeu orientações sobre como implementar o PNPE. De acordo com a subdelegada, Maria Rita Maringoni, as subdelegacias não estão participando do processo de instalação do programa.

Mesmo assim, quando foi lançado nacionalmente, cerca de meia dúzia de jovens procuraram o órgão para buscar informações, comenta Maringoni. O mesmo esforço ela não constatou entre os empresários.