09 de julho de 2026
Polícia

Desgualdo anuncia tecnologia anticrime

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Em breve, um policial que investiga um assassinato em Rosana, cidade localizada no extremo Oeste do Estado de São Paulo, poderá, com um simples comando no computador, saber de quem é a digital encontrada na cena do crime, de onde vem a terra achada na pegada que deixou por onde passou e até confirmar se o DNA de um fragmento de unha encravada na vítima durante a luta é da mesma pessoa suspeita.

Este cenário futurista, visto no Brasil apenas em filmes produzidos na terra do Tio Sam, é o que antevê o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo, que esteve anteontem em Bauru durante visita de uma comitiva de policiais do Japão à cidade.

Na ocasião, Desgualdo descreveu alguns detalhes do “Projeto Ômega”, em implantação pelo comando da Polícia Civil paulista, que consiste na unificação tecnológica de todos os distritos policiais (DPs) do Estado, que estariam interligados online a um poderosíssimo banco de dados, capaz de cruzar, segundo o policial, todas as informações criminais “possíveis e imagináveis”.

Alguns “apetrechos” que integram o pacote tecnológico do projeto parecem mesmo existir apenas no seriado de desenho animado “Os Jetsons”, que retratava as aventuras de uma família amalucada em algum lugar do futuro. O sistema possui, por exemplo, o recurso de alimentar seu banco de dados com fotos de satélite, que podem captar imagens a até 60 centímetros do solo, como uma placa de automóvel ou um pedaço de papel.

Todo este aparato, segundo Desgualdo, estará a serviço dos policiais com o objetivo de aprimorar ao máximo a qualidade da investigação criminal. “Não concebo a polícia hoje sem a sustentação de tripé fundamental, formado pela lógica, pela ciência e pela legislação”, diz o delegado-geral.

O “Projeto Ômega”, afirma Desgualdo, já está em fase adiantada de implantação na Capital e em algumas cidades, como São José dos Campos e Santos. Para Bauru, o policial não definiu prazo para instalação, mas garantiu que a previsão seria pelo menos até o final da gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Ele explica, porém, que o Departamento de Polícia do Interior (Deinter-4), sediado em Bauru, por já possuir um setor de inteligência, já é, na verdade, um braço do projeto. “Agora só falta a interligação de todas os DPs, que será feita numa próxima etapa, através da expansão de uma rede de fibras óticas”, adianta.

A opção preferencial pela alta tecnologia revelada pelo chefe da polícia paulista foi reafirmada justamente durante o encontro com os policiais japoneses, durante recepção nas dependências do JC. “A polícia do Japão já adota a tecnologia de ponta e encontros como este são importantes para troca de informações no campo da investigação”, diz Desgualdo.