Em outubro de 1986, Bauru participou da campanha nacional que visava proibir a caça da baleia na Paraíba. Essa matança era perpetrada por uma multinacional que utilizava 400 pessoas em situação de sub-emprego para o que ela denominava “caça científica”. Havia dois senadores paraibanos que se opunham ao projeto alegando que tal fato iria causar desemprego. A participação de Bauru se deu quando o projeto de Lei 124/85, de autoria do deputado Gastone Righi, chegou ao Senado para aprovação. A ADECOM - Associação de Defesa do Meio Ambiente - resolveu envolver o povo nesta luta através da coleta de assinatura e do envio de aerogramas para os senadores. Costuma-se dizer que há dificuldades na organização de manifestações populares, fato que não aconteceu conosco. Nossa campanha envolveu centenas de bauruenses, na sua maioria mulheres e crianças. Um mimeógrafo desativado imprimiu os aerogramas. Eu, na minha Olivete Lettera, colocada em frente da Câmara e na Batista, coletava as assinaturas do povo. Nosso amigo Dagoberto Sotovia sempre chegava para as crianças dizendo:- “Se você mandar um aerograma nós vamos te dar uma baleiazinha deste tamanho, assim!"
O dr. Darcy da Luz atendia a todos, argumentando com as pessoas e incentivando-as a colaborarem.
Como provas que os anseios de um povo politicamente organizados não encontram obstáculos, a Câmara apoiou a iniciativa, cedendo o funcionário Adauto, além de promover a visita do presidente Edson Francisco acompanhado de outros vereadores. Na luta pela defesa da vida, devemos superar todos os obstáculos, esse movimento levou o presidente Sarney a sancionar o decreto que tornou definitivamente proibida a pesca da baleia em águas territoriais brasileiras. Com orgulho, vimos que nossas 1.700 assinaturas e 1.000 aerogramas atingiram o seu objetivo. Nós, mulheres, temos obrigação de participar de todo movimento político social em defesa da vida.
Márcia Regina Cidrinho - RG 15 803 579 - Graduada em Direito e Comunicação Social