Omar Haddad, do departamento médico do Noroeste há mais de dez anos, acredita que tudo foi feito para tentar salvar a vida do jogador Serginho, morto na noite de anteontem.
“Vale lembrar que a tragédia aconteceu no Morumbi, onde o São Paulo tem um ótimo ambulatório no departamento médico. Havia, além disso, ambulância UTI móvel do Hospital São Luiz com equipe completa, especializada nesses eventos. Não existe no futebol desse País uma estrutura melhor do que a do São Paulo. Se esse infortúnio ocorreu no Morumbi, imagine como seria se fosse num estádio de clube pobre, integrante de uma Terceira Divisão”!
Segundo o Omar, a situação ideal para minimizar esses riscos exigiria em todas as atividades esportivas, a presença à beira do campo de desfibrilador, ambu para ventilação, todo o material de ressucitação cárdiorespitatória, operados por equipe médica e paramédica capacitada.
“Ressaltamos que esses cuidados deveriam ser tomados inclusive nos treinamentos. Mas acreditamos que a instalação desses recursos em todos os estádios encontrariam dificuldades econômicas”.
O desfibrilador é um aparelho que aplica um choque no coração do paciente a fim de restabelecer seus batimentos normais. Já existe uma lei no senado para dispossibilizar desfibrilador em locais públicos, inclusive campos de futebol.
Sobre um eventual caso de jogador sofrer uma parada cardiorrespiratória durante um jogo do Noroeste, Omar Haddad explicou.
“O Noroeste dispõe de uma ambulância à beira do campo com motorista e enfermeiro. Em caso de urgência, o jogador será assistido pelo médico do clube e toda a sua equipe - massagem cardíaca, ventilação, cuidados de emergência - e em seguida, encaminhado ao Hospital de Base”.
Na opinião de Omar Haddad, as federações que promovem os campeonatos, devem exigir a instalação nos estádios de departamentos médicos com estrutura completa para atendimento dessas emergências em atletas e torcedores.
Já Celso Zinsly, gerente de futebol do Noroeste, explicou que os jogadores são submetidos a exames médicos todo o mês de janeiro. Primeiro, são feitos os testes com os preparadores físicos - o clube dispõe de três profissionais da área. Depois, se necessário, os atletas são examinados em hospitais, principalmente em clínicas cardiológicas.
“O teste de esforço físico é realizado na pré-temporada, feito de forma bem detalhada. Em seguida o elenco passa por eletrocardiograma, esteira, batimentos cardíacos”.
Zinsly disse que o check-up é feito em janeiro, mas se durante o ano surgir uma suspeita de jogador com problema clínico, ele será encaminhado a um hospital especializado.
“Um garoto das nossas categorias de base sentia um cansaço além do normal e o levamos a uma clínica cardiológica para os exames. Felizmente, não foi constatado nada de grave. O garoto vem jogando normalmente.”
Sobre o caso Serginho, para Celso Zinsly, o que houve foi uma fatalidade. “Ele morreu no campo, como poderia ter morrido em casa ou em qualquer outra parte”, disse.
Sobre a assistência médica do Noroeste, Celso afirmou que o clube tem o que os outros do Interior têm, uma ambulância e os primeiros socorros. Lembrou que um desfibrilador custa mais de seis mil dólares e a receita do Norusca é Damião Garcia, já que o clube não tem corpo associativo e nem faturamento da venda de placas ou de jogadores.