Depois de mais de 90 dias de muita correria, gravações, alterações de estratégias e muitos beijinhos em crianças, termina amanhã a campanha eleitoral, que nesta eleição ganhou um componente novo em Bauru: o segundo turno. A novidade exigiu mais fôlego de todos, desde os correligionários até os principais interessados, que são os candidatos.
Embora democrática e com um resultado que dá mais legitimidade ao vencedor das urnas, a eleição em dois turnos mostrou também que é preciso ter nervos de aço para suportar a pressão natural de uma disputa que envolve votos de 218 mil eleitores.
Nos tempos modernos, perdeu espaço o tradicional comício realizado em palanque de ferro armado com uma lona de caminhoneiro pronta para eventuais trovadas. Mas ganhou força o contato corpo-a-corpo, evidenciado nas reuniões relâmpagos nas casas de líderes comunitários e dirigidas a um pequeno público.
Permaneceram os gastos astronômicos com adesivos, com cabos eleitorais que entoam expressões e empunham bandeiras de seus candidatos, além de milhares de santinhos que foram e ainda serão sugados pelas bocas-de-lobo de toda a cidade.
Ontem, expirou-se o prazo para a realização dos showmícios. Hoje, é o último dia para a promoção de debates nas emissoras de rádio e TV. Amanhã ainda será possível a realização de carreatas, uso de carros de som, distribuição de santinhos, além do corpo-a-corpo na busca incessante de votos.
“Domingo será o dia do eleitor. Vão prevalecer as mesmas regras do último dia 3. Lei seca das 8h às 17h, boca-de-urna expressamente proibida. O único tipo de propaganda possível no dia da eleição será a individual e silenciosa. Se o eleitor quiser votar com camiseta, não haverá problema desde que o faça de maneira silenciosa. Não poderá fazer qualquer tipo de manifestação tendente a influenciar a vontade de outros eleitores”, explica o juiz da 23ª Zona Eleitoral, João Thomaz Dias Parra.
Na avaliação dele, as campanhas eleitorais em Bauru, tanto no primeiro quanto no segundo turno, transcorreram em clima de tranqüilidade.
“Desde a ocasião do registro dos candidatos evidenciamos uma situação de tranqüilidade. Nas eleições majoritárias a prefeito, tivemos apenas dois pequenos problemas com relação a dois candidatos que não haviam sido escolhidos na convenção partidária e que postularam registro. Acabei indeferindo de ofício”, lembra.
O juiz prevê que a eleição de domingo será mais ágil no que diz respeito ao processo de votação e totalização. “Como são apenas dois candidatos, os eleitores terão mais facilidade de votar. Não deveremos ter fila. Tem tudo para ser uma eleição muito tranqüila”, afirma.
Acompanhado do promotor eleitoral Gustavo Zorzella Vaz e do chefe do Cartório da 23.ª Zona Eleitoral, José Carlos Colhado, Parra auditou ontem uma urna eletrônica, na qual foram verificados as fotos dos candidatos a prefeito e os números das candidaturas, além de seu funcionamento.
O juiz chama a atenção para o vencimento do prazo de prestação de contas dos candidatos à Justiça Eleitoral, que se expira na terça-feira, dia 2. “Devem prestar contas todos os candidatos, mesmo aqueles que tiveram o registro indeferido. Se eles não prestarem contas, estarão sujeitos a sanções”, explica. Os prefeitáveis que disputam o segundo turno têm até 30 de novembro para encaminhar a prestação de contas.