09 de julho de 2026
Auto Mercado

Tendência off road não desbanca os 1.0 e flex

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

O Salão Internacional do Automóvel deste ano evidenciou uma tendência do mercado automotivo mundial: os veículos com aparência off road. Prova disso é que muitas montadoras deram destaque para esse segmento em seus estandes apresentando as características de modelos já consagrados e algumas novidades. Apesar disso, conforme prevêem executivos do setor, os populares e os bicombustíveis continuarão reinando absoluto.

Exemplos de que os fora-de-estrada estão em alta puderam ser vistos em profusão no evento. O principal representante dessa categoria foi o Volkswagen CrossFox, versão do Fox que chegará às revendas no primeiro semestre de 2005.

Já a Citroën trouxe da França o C3 X-TR e a Fiat, a precursora da tendência no País ao lançar, em 2000, a linha Adventure, mostrou a série especial Doblò Adventure Estrada Real.

Motivos não faltam para explicar o atual sucesso dos off roads. Uma das principais é o desempenho do Ford EcoSport, que desde o seu lançamento bem batendo sucessivos recordes de vendas no segmento e encarna o perfil do automóvel fora-de-estrada desejado por muitos consumidores: visual arrojado e robusto, posição alta de direção e, principalmente, mais acessível financeiramente em relação a outros “jipões” de luxo.

Entretanto, integrantes das montadoras identificam outras razões para explicar a tendência. Paulo Sérgio Kakinoff, diretor de vendas e marketing da Volks-wagen, enfatiza que o Salão demonstra o resultado da iniciativa de diversas montadoras em todo mundo em oferecer carros com esse espírito. “Isso é compreensível, pois trata-se de uma configuração de automóvel que remete a um estilo de vida que está em alta, voltado à natureza, à ecologia e ao uso fora-de-estrada de uma maneira geral”, considera.

Para Kakinoff, trata-se de consumidores jovens que querem comunicar essa jovialidade por onde passam. “São aquelas pessoas que carregam vitalidade inegável na comunicação e na forma de agir. Imaginando as pessoas que estarão dirigindo um carro como esse, vislumbramos um tipo de consumidor que irradia esse prazer em viver a vida”, sustenta o diretor.

Já o bauruense Lélio Ramos, gerente nacional de vendas e marketing da Fiat, atribui a crescente preferência pelos off roads em virtude de suas características diferenciadas dos carros “comuns”. “São veículos mais altos que permitem às pessoas terem conforto tanto na cidade como fora dela, além de ter aparência fora-de-estrada que atrai as pessoas do ponto de vista externo. São fatores que se combinam”, frisa. Para ele, os off-roads são a tendência do momento. “Só para se ter uma idéia, esses veículos, como a linha Adventure do Palio, Strada e Doblò, respondem hoje por 50% do mix de vendas da Fiat”, revela.

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Reinado

O sucesso das vendas dos veículos bicom-bustíveis, capazes de rodar com álcool e gasolina, também deve continuar. Prova disso é que as montadoras continuam investindo no segmento.

A Renault desembolsou 6 milhões de euros para colocar a tecnologia no Clio 1.6, que começa a ser vendido no próximo mês. Na seqüência, o motor equipará o Scénic 1.6 e, em 2006, também o novo modelo que entrará em linha no País, o Mégane sedã.

A Volkswagen já produz 40% de todos os seus modelos com a tecnologia. E o diretor nacional de vendas e marketing da montadora, Paulo Sérgio Kakinoff, projeta que, em menos de quatro anos, a totalidade dos veículos da marca seja bicombustível. No Salão, a Volks exibiu o Polo álcool/gasolina, mas não revelou data para lançá-lo.

A Ford entrou na briga com o Fiesta sedã e a Peugeot estreará no segmento no primeiro semestre de 2005 com o 206 1.6 e, posteriormente, com a versão 1.4. E o novo veículo da fábrica de origem francesa, o 206 sportwagon, também terá a opção bicombustível no próximo ano.

Já os populares também devem manter seu “reinado” no Brasil. Para Paulo Sérgio Kakinoff, diretor de vendas e marketing da Volkswagen, mantendo-se a atual estrutura tributária de benefícios da motorização 1.0, a participação de mercado dos “mil” atingirá entre 50% a 55%.

Quem também alimenta igual expectativa é Marcos Munhoz, gerente de vendas da GM. “O País ainda tem sérios problemas de poder aquisitivo. As estatísticas mostram que o Brasil perdeu 15% da capacidade de consumo nos últimos 36 meses e, por melhor que sejam as políticas governamentais, isso demora para se reconstruir. Portanto, nos próximos cinco anos, esse número de 50% a 55% dos populares não mudará muito”, finaliza.

Da Redação

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Você sabia que...

• A Ford estuda produzir, no ano que vem, um novo modelo – de pequeno porte - na fábrica de São Bernardo do Campo?

• A edição 2004 do Salão é a que conta com maior número de atrações? São mais de 400 modelos expostos

• A produção do novo Mégane sedã vai demandar 500 contratações na fábrica da montadora francesa no Paraná, que atualmente emprega 2,5 mil pessoas?

• O Brasil responde por 70% dos negócios da Ford na América do Sul?

• Apesar dos populares dominarem o mercado, o segmento de alto luxo deve consumir este ano 3,8 mil veículos, 500 a mais que no ano passado?