08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Qual o nosso papel?


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Sábado último (23/10), no caderno esportivo do JC, deparei-me com uma entrevista longa do competente Celso Zinsly, mistura de diretor e gerente de futebol dessa magnífica administração Damião Garcia à frente do EC Noroeste. Os progressos na parte estrutural desse clube tão sofrido e querido são inquestionáveis. Nem o mais otimista torcedor poderia imaginar uma organização tão grande e uma melhora tão profunda.

E sabemos, principalmente nós que acompanhamos o dia-a-dia dessa agremiação, que nada disso teria sido possível sem o apoio financeiro de Damião Garcia e a grande competência do Celso. Só que estamos percebendo um certo desconforto da torcida em relação ao clube, e, embora seja difícil tocar nesse assunto, uma hora isso tem que ser feito.

Qual o papel da torcida em relação ao Noroeste de hoje? Será que este time ainda pertence àquele povo que em 1958 chorava no meio da rua Rubens Arruda enquanto o estádio ardia em chamas? Daqueles que atravessaram o Parque Antarctica de joelhos após a vitória de 1x0 frente ao Nacional da Capital (gol de Fedato), em 1970? Ou daqueles que explodiram de alegria após os 2x0 (gol de Rodrigues e Julinho) em 1973, em Araraquara, contra a Ferroviária.

Teria assunto para contar o dia inteiro. O que entendi na entrevista do Celso que o torcedor para questionar tem que ter posses, comprar uma cadeira, senão não tem voz. O que este respeitável dirigente tem que entender é que o time do Noroeste não acompanhou o progresso de sua estrutura física. Fez uma pálida série A3, sendo premiado com a classificação graças ao resultado de Mirassol que venceu o Osasco na partida final. Fomos desclassificados dessa Copa São Paulo em que a maioria dos times usaram sua equipe B.

Sem contar que neste ano fomos campeões brasileiros de cartões vermelhos, o que demonstra que dentro do clube não existe esta organização toda, ficando claro que em relação ao futebol houve falhas, e muitas, haja vista que os dois treinadores que passaram pelo Noroeste (Tulio Tangione e Edson Só) não conseguiram dar padrão de jogo ao time. Não vou comentar atuação do Vitor Hugo, porque foi curta, mas mesmo por vias indiretas conseguiu o objetivo. Outra coisa que questiono: vejo o Noroeste há 46 anos (desde o campo da rua Quinino, passando pelo campo do BAC) e a maior característica do Noroeste foi seu uniforme de cores vivas; meiões vermelhos, calções brancos, camisas vermelhas berrantes com números, golas e punhos brancos.

Não bastasse os apelidos pejorativos que tentaram colocar, como Norusca e Maquininha Vermelha (que graças a Deus ficou apenas com seu autor, que é conhecido torcedor do XV de Jaú), agora somos obrigados a assistir o Noroeste jogar em 80% das exibições de branco e quando joga com a camisa vermelha temos que suportar aqueles horrorosos calções vermelhos.

Afinal, o time continua sendo da cidade? Dos torcedores? Se porventura ou sorte revelarmos um jogador do quilate dos Ronaldos, o lucro dessa revelação vai ser de quem? Abrir o Noroeste para o torcedor não significa transformá-lo naquela bagunça de antigamente. Entravam e saíam à vontade levando às vezes até material do clube. Só que as medidas tomadas por essa diretoria transformaram os portões do clube, na parte do estacionamento, em réplicas de entradas de penitenciárias. Será que não está havendo exagero?

Agora, se o Noroeste de hoje não pertence mais à cidade ou a sua torcida, que avisem, assim ficaremos desobrigados de segui-lo, como os diretores atuais, que são remunerados e eu acho isso justo, também estarão desobrigados de nos dar satisfações. Que fique bem claro que não estou pedindo a cabeça de ninguém, muito pelo contrário, agradeço a Deus por ter colocado essas pessoas no caminho do Noroeste, mas que em relação à cidade e à torcida tem que ter transparência, isso tem. Grato pela publicação.

Vitor Rodrigues Ruiz - RG 11.225.892