08 de julho de 2026
Regional

Rondon é a "campeã" em mortes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O DER opera, em nossa região, basicamente na rodovia Marechal Rondon. O critério que mais pesa contra a rodovia é a incidência de acidentes provocados pelo excesso de velocidade. Pista dupla que gera monotonia ao volante aliada aos acessórios como ar-condicionado e som distraem o condutor que pisa no acelerador.

O diretor do DER, Raul Cardoso, admite que a pista da Rondon, nos dois sentidos (Interior/Capital e vice-versa), é propícia aos amantes da alta velocidade. “Estamos dando ênfase na Rondon, porque o índice de acidente é maior, em função de ser duplicada. Os veículos mais novos são os mais autuados.”

Ele ressalta que em veículos bem equipados o condutor não sente que está imprimindo velocidade excessiva. “Nos veículos novos, o motorista fecha o vidro, liga o ar condicionado e começa a trafegar a 110 Km/h. Porém, como parece que o carro está parado, ele pisa no acelerador e ultrapassa a velocidade permitida.”

A distração é outro fator que, segundo o DER, leva o condutor a imprimir velocidade além. “Com o ar-condicionado e o rádio ligado, o motorista se distrai e vai pisando no acelerador”, comenta.

Dados da Polícia Rodoviária comprovam a tese de que a Rondon é a campeã de acidentes, especialmente com vítimas fatais. De janeiro a setembro de 2004, no perímetro compreendido entre Agudos e Avaí, ocorreram sete acidentes que resultaram em sete mortos, um ferido grave e três leves.

No mesmo período, na rodovia Bauru/Iacanga, pista simples, foram registrados cinco acidentes que resultaram em quatro mortos e um ferido leve. É bem verdade que o trânsito de veículos na Rondon é maior, mas o que também não pode ser esquecido é que a pista é dupla é teoricamente mais segura.

A maioria dos acidentes da Rondon, em nossa região, foram registrados na área urbana, onde a velocidade é de 100 km/h para automóveis e 80 km/h para ônibus e caminhões. Nos demais trechos, a velocidade dos automóveis sobe para 110 km/h e a dos caminhões e ônibus para 90 km/h.

Na rodovia Bauru/Iacanga, perímetro urbano, a velocidade permitida é de 60 km/h para todos os veículos, segundo a PR. Nos demais quilômetros é 100 km/h para carros de passeio e 80 Km/h para ônibus e caminhões.

Apesar da limitação da velocidade e de toda a sinalização das rodovias, o motorista ainda insiste em exceder. “Na Bauru/Iacanga já flagramos condutores a mais de 140 km/h”, comenta o tenente da Rodoviária Luiz Carlos Ferreira dos Santos.

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Mais rodovias deverão ser fiscalizadas por radar

O diretor do DER Raul Cardoso é enfático em dizer que em todas as rodovias haverá fiscalização por radar. Em algumas, ainda falta a sinalização correta para início da operação. “Todas as rodovias da regional serão englobadas, a Bauru/Iacanga e a Bauru/Ipaussu serão incluídas, pois apresentam alto índice de acidentes. O trânsito de carga é elevado.”

O DER Bauru é responsável por 200 quilômetros do total de 1.400 quilômetros da Rondon. “Cerca de 48% dos acidentes acontecem na Rondon. Ela tem um fluxo maior de veículos na nossa região e o índice de acidentes é muito alto.”

Para o perímetro urbano, o DER programa a instalação de lombada eletrônica. “Ela faz o motorista reduzir a velocidade e avisa na hora que ele está em excesso, especialmente na área urbana.”

Na direção de Lins, não há previsão de instalação de radar fixos, diz o diretor. “Fixo tem desvantagens. Você vai até Jaú e já sabe onde tem. Tem fixo em Pederneiras, na baixada, na saída de Jaú para cá. Corre a vontade e diminui nesses pontos, não funciona muito.”

O estático ou móvel, de acordo com os diretores do DER, apresentam outras desvantagens. “Como ele geralmente fica entre obstáculos metálicos, sofre a ação da vândalos. O operador do aparelho também pode sofrer agressões físicas e verbal.”