Beleza é fundamental, mas não basta. O bem-estar e a qualidade de vida são palavras de ordem hoje quando o assunto é a decoração de ambientes.
No entanto, aliar estética, conforto e funcionalidade é uma tarefa que tem exigido cada vez mais qualificação e aperfeiçoamento. E é nesse contexto que o designer de interiores ganha relevância como o profissional capaz de ambientar de forma prática e criativa os espaços físicos.
“Antigamente, o que importava era compor o ambiente e deixar o lugar bem bonito. Hoje em dia o que importa é o bem-estar das pessoas, a qualidade de vida. O conceito mudou bastante, tanto que o próprio nome mudou: antes o profissional era chamado de decorador e hoje nós o chamamos de designer de interiores”, explica Maria Antônia de Souza Zeca, arquiteta e professora do curso técnico de design de interiores do Senac de Bauru.
Segundo ela, no passado grande parte das pessoas que atuavam nessa área não tinha sequer formação profissional. Atualmente a profissão está regulamentada e a Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD) exige no mínimo formação técnica para o exercício da atividade.
“Agora, para você poder exercer a profissão é preciso fazer no mínimo um curso técnico que tem cerca de 900 horas”, explica a professora, lembrando que muitos decoradores apoiavam-se apenas em seu bom gosto e conhecimento empírico para compor os ambientes.
Hoje, de acordo com Maria Antônia, a exemplo de outras profissões, o mercado tem exigido dos designers um movimento de constante qualificação.
“É importante estar atualizado, conhecer o que o mercado está lançando, o que é mais viável, o que existe para facilitar a vida das pessoas”, ressalta.
Na composição dos espaços físicos, além do modelo e posicionamento dos móveis, o profissional da área também se preocupa com a iluminação, acústica e cores do ambiente, sempre priorizando o conforto do cliente.
“A maior satisfação para a gente é quando o cliente se encontra em seu ambiente. Porque se ele se identificar com a casa, vai cuidar melhor dela e ficar mais tempo ali, diz Andréia Tonon Mizokami, aluna do curso de design de interiores do Senac Bauru.
Acessível
Maria Antônia afirma que a decoração de ambientes já foi um privilégio da classe alta. “Quem buscava um decorador era uma pessoa que tinha muito dinheiro, pois ela sabia que para decorar uma casa gastava-se muito. Hoje em dia esse conceito não existe mais”, assegura.
Segundo ela, com a criatividade e variedade de técnicas e materiais disponíveis no mercado, o profissional do ramo pode compor ambientes interessantes e acessíveis ao bolso do consumidor. Produtos ecologicamente corretos e recicláveis, por exemplo, estão em alta no mercado da decoração.
A professora também lembra que o trabalho dos designers tem adquirido cada vez mais importância dentro do contexto de vida contemporâneo. Com os espaços físicos das casas reduzidos, especialmente nos grandes centros urbanos, o aproveitamento funcional dos ambientes torna-se fundamental.
A quantidade de revistas especializadas sobre o tema, na avaliação de Maria Antônia, é um indicativo de que o gosto pela decoração tem crescido.
Seja pelos imperativos da vida moderna ou pelo desejo de conforto e qualidade, a professora acredita que as pessoas, de forma geral, têm se posicionado de maneira mais exigente em relação aos seus ambientes domésticos.
“O lugar de trabalho é estressante e na rua existe o perigo da violência. Então elas gostam de curtir a sua casa, convidar seus amigos para freqüentar esse espaço. Por isso elas querem oferecer o melhor”, diz.
Entretanto, Maria Antônia lembra que, apesar da visibilidade, o designer de interiores ainda precisa explorar outros espaços no mercado e conscientizar uma parcela maior de consumidores de que a decoração não é um assunto de elite.
“O que nós precisamos fazer é conscientizar a sociedade de que a decoração não exige tanto investimento, mas sim criatividade”, destaca a professora, lembrando que o designer de interiores completa o trabalho do arquiteto.
“Se você perceber, ao contratar um profissional para organizar o seu ambiente você vai ganhar muito em qualidade. Não adianta você comprar um móvel caro e colocar na sua casa se aquilo não for suficiente para você se sentir bem”, conclui.
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Conhecendo o cliente
Antes de compor um ambiente, o designer de interiores precisa conhecer quem é o usuário daquele espaço e quais são as suas necessidades. Ao desenhar esse perfil, o profissional pode fazer as propostas mais adequadas à realidade de seu cliente e mais acessíveis ao seu orçamento.
“A nossa função é interpretar os anseios e gostos do cliente e ver quanto ele pode gastar. A casa tem que parecer com o cliente”, diz o designer de interiores Márcio Bompean.
Para ele, o bom profissional é aquele que encontra soluções para cada espaço físico, unindo estética e funcionalidade. Opinião semelhante compartilha o designer de interiores Márcio Roda. “Eu acho que a pessoa tem que ter uma sensibilidade aguçada, porque ela tem que enxergar o que as pessoas querem”, define.