10 de julho de 2026
Política

Eleições 2004: Em disputa apertada, Tuga é eleito com mais de 88 mil votos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Com 88.716 votos (51,78% dos votos válidos), o professor universitário Tuga Angerami (PDT) foi eleito ontem o novo prefeito de Bauru para a legislatura 2005-2008. Ele teve uma vitória apertada em relação a seu adversário, Caio Coube (PSDB), que totalizou 82.619 votos (48,22% dos votos válidos). A diferença de 6.097 votos representou índice de 3,56% no resultado final da totalização.

Dos 218.146 eleitores registrados no município, não compareceram às urnas 36.035, o que apontou abstenção de 17,44%, índice 2,2 pontos percentuais a mais em relação à votação do primeiro turno das eleições, realizado no último dia 3. No total, o pleito de ontem contou com o comparecimento de 180.111 eleitores (82,56% do eleitorado).

O fechamento da totalização revelou ainda que 2.612 eleitores (1,45%) votaram em branco, contra 4.270 no primeiro turno (2,32%). Anularam os votos 6.164 eleitores (3,42%), índice um pouco menor se comparado com a eleição de 3 de outubro, que foi de 4%.

O processo de totalização dos votos começou às 17h10 com a chegada da primeira pasta no ginásio de esportes da Faculdade de Odontologia (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) contendo o disquete da 31ª seção da 23ª Zona Eleitoral, instalada na escola estadual Silvério São João. O presidente da seção, Emérson Pires, é voluntário da Justiça Eleitoral há 20 anos.

Aos poucos, formou-se uma fila para a entrega das pastas. Catorze minutos depois, às 17h24, o telão exibiu a todos os presentes a primeira parcial da totalização. Com apenas 1,13% dos votos apurados, o tucano Caio Coube saiu na frente com 1.298 votos contra 746 dirigidos a Tuga.

A partir da primeira, as parciais foram exibidas de 15 em 15 minutos. Caio liderou a dianteira da votação até a sétima parcial, com uma oscilação que variava de 2.500 a 3 mil votos. É que as seções que estavam sendo apuradas eram da zonas central e sul da cidade, nas quais, estima-se, o tucano teve votação mais expressiva em relação a seu adversário.

A virada de Tuga ocorreu na oitava parcial, divulgada às 18h42, ou seja, uma hora e 30 minutos após o início do processo de totalização. Com 60,77% das urnas apuradas, o candidato do PDT ultrapassou Caio. O telão mostrou 51.761 votos para Tuga contra 51.069 dados a Caio, uma diferença ainda pequena, de 692 votos.

Mas, a partir daí, a performance do pedetista foi ascendente até o final da totalização, que terminou na 13ª parcial, com a apresentação dos números definitivos. A exemplo de Caio, Tuga, nas parciais seguintes, também oscilou na dianteira com uma diferença irrisória em relação ao tucano, o que já demonstrava que a eleição, na reta final da totalização, seria disputada voto a voto. Ninguém se atreveu a prognosticar quem seria o vencedor do pleito.

O resultado final foi apresentado pela Justiça Eleitoral às 20h01, duras horas e 50 minutos após o início do processo de totalização, com antecipação de 80 minutos em relação à previsão inicial, estipulada para às 21h30.

O processo só não foi mais ágil porque o disquete da urna instalada na 90ª seção da 387ª Zona Eleitoral apresentou falha e não pôde ser lido pelos computadores. Devido a isso, foi necessário buscar o equipamento no cartório e trazê-lo para o ginásio da FOB, onde foi feita a releitura dos votos registrados na seção. A situação provocou atraso de 20 minutos no processo final de totalização.

A entrada de cabos eleitorais e de simpatizantes dos dois candidatos no ginásio de esportes da FOB foi proibida pela Justiça Eleitoral e pela Polícia Militar no início dos trabalhos de totalização, o que provocou um princípio de tumulto. Mas por volta das 18h30 a situação foi contornada e a entrada do público foi liberada.

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Abstenção

Para o juiz da 23ª Zona Eleitoral de Bauru, João Thomaz Diaz Parra, o aumento da abstenção de 2,2 pontos percentuais no segundo em relação ao primeiro foi motivado pela presença do feriado prolongado na seqüência da votação, em razão do feriado de Finados, no dia 2 de novembro.

Em sua avaliação, os que não compareceram às urnas no primeiro turno o fizeram sobretudo por causa da chuva no dia da eleição. “Muita gente foi viajar para aproveitar o feriado prolongado que, infelizmente, prejudicou o comparecimento do eleitor. Muitos emendaram e isso atrapalhou”, comenta.

Uma outra parte dos 36.065 ausentes nas urnas ontem estavam entre os eleitores que sequer retiraram seus títulos nos cartórios. O acúmulo de documentos foi o maior da história, chegando a 12 mil até o dia do processo.