Embora derrotado por uma pequena diferença de votos (6.097), o empresário Caio Coube (PSDB) considera-se satisfeito com sua performance nas eleições municipais de ontem. Ao avaliar o resultado das urnas, o tucano criticou as pesquisas eleitorais e disse acreditar que o levantamento de intenção de votos precisa ser repensado.
Sobre seu destino político, Caio explica que ainda é muito cedo para prever o futuro. Reconhece que construiu, com a votação de ontem e de sua candidatura à Câmara dos Deputados, em 2002, um patrimônio político de peso. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Jornal da Cidade logo após tomar conhecimento do resultado da eleição.
Jornal da Cidade - Como o senhor recebeu o resultado das eleições? Os números já eram esperados?
Caio Coube - Inicialmente eu quero agradecer a esse volume enorme de pessoas, cerca de 83 mil, que acreditaram na nossa proposta, na nossa candidatura. Tenho muito claro que eu tive um papel nessa eleição que era dar à comunidade de Bauru uma opção de renovação, diferente dos nomes que fazem parte da política tradicional. Na realidade, estou no cenário há três anos. Meu papel principal era exatamente esse: tentar convencer o maior número de pessoas de que Bauru precisava de uma ruptura, um novo estilo de liderança política, um novo modelo de gestão e administração pública. Chegamos muito próximos do objetivo, o que demonstra que uma parcela enorme, quase que a metade da população, nos apoiou.
JC - O senhor recebeu esse resultado com surpresa?
Caio - Eu sabia que seria dificílimo em razão da vantagem que meu adversário teve no primeiro turno, que foi de 16 pontos percentuais. Ele estava muito próximo da metade mais um. Tivemos um segundo turno espetacular porque conseguimos tirar dos 26 mil votos (diferença da votação do primeiro turno) 20 mil, reduzindo a diferença para 6 mil votos. Foi uma arrancada espetacular, porém insuficiente para nos dar a vitória. Outro ponto a destacar foi o fato de ter ficado, nas pesquisas, em segundo lugar. Tive atitudes, postura de competidor que joga o jogo sem entregar os pontos, sem jogar a toalha. Fui buscar o resultado. Resisti à tentação da política de partir para o ataque, para a grosseria e tentar diminuir o meu adversário.
JC - O senhor acredita que a prática desse expediente pode ter influenciado no resultado das eleições?
Caio - Não quero entrar no mérito. A gente sabe que isso foi utilizado em razão da diminuição da diferença. Eles viraram com uma diferença grande. Foi uma estratégia política por conta da diminuição da diferença. Mas isso não se justifica. O jogo tem que ser duro, mas a disputa deve ser na bola e não com caneladas, com cotoveladas. Em relação à pesquisa do Ibope/TV Tem, ela errou sistematicamente, no caso contra mim. No primeiro turno, 45% a 22%. O resultado foi 44% a 28%. Foram 27 pontos contra o resultado, que foi de 16 pontos. Na sexta-feira à noite, na hora do debate final, foram 14 pontos de diferença contra 3,5% no resultado das urnas. A gente começa a colocar em xeque a idoneidade da pesquisa. Começo a questionar se a divulgação de uma pesquisa não atende a interesses e estratégias eleitorais, até mesmo porque o meu adversário, por diversas vezes, durante o debate, reiterou os 14% de vantagem. E a gente sabe que tem uma parcela de eleitores que segue o efeito manada. Eleitores que não querem perder o voto, que querem votar no candidato que está em primeiro lugar.
JC - Na avaliação do senhor, o que falhou na sua campanha? Ou não houve falha?
Caio - Uma campanha política é um processo aberto porque conta com a participação de militantes partidários, voluntários, de simpatizantes, de profissionais contratados e remunerados. É duro você administrar esse processo. Tem o componente da emoção, da torcida, em que falta um pouco da racionalidade. As pessoas trazem para o processo eleitoral uma dose de ansiedade muito grande. É um pouco difícil. Essa guerrilha que faz parte das campanhas, que começa pela questão dos boatos que são espalhados, é um processo difícil de ser controlado. Tudo isso é ruim e negativo. Mas a gente fez uma campanha limpa. Fizemos 19 comícios com a Caravana Muda Bauru. Foram reuniões políticas para as famílias.
JC - O senhor considera a boa performance nas urnas como sendo uma vitória, mesmo derrotado?
Caio - Eu tive 48,2% dos votos. É quase a maioria dos votos. Enfrentei um adversário forte, com cinco anos de mandato de prefeito, dois mandatos de deputado federal, 21 anos de vida pública, 13 anos com mandato. Obviamente, com um bom conceito político, tradicional. Eu sabia, desde o início, que seria difícil.
JC - Qual será o futuro político do senhor? Faz parte de seus projetos disputar mais cargos públicos?
Caio - Eu disputei duas eleições nos últimos três anos. É uma dose fortíssima de dedicação, de comprometimento. Não tenho nenhum interesse imediato de pensar em disputar futuras eleições sejam em 2006. Não tenho. Eu tinha esse projeto para esse período. Está se encerrando. Não venci. Agora tenho que parar e pensar. É óbvio que contruí um patrimônio eleitoral. Foram 73 mil votos para deputado federal, dos quais 52 mil votos em Bauru. E agora no segundo turno quase 83 mil votos para prefeito. É um patrimônio político.