09 de julho de 2026
Regional

Corpo de taxista de Lençóis é exumado

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Lençóis Paulista - O corpo do taxista Luciano Oliveira de Souza, 25 anos, morto durante um assalto cerca de há duas semanas, foi exumado no sábado passado no cemitério de Lençóis Paulista (43 quilômetros a sudeste de Bauru).

O procedimento foi motivado por uma informação nova recebida pelo delegado de Agudos, Eron Veríssimo Gimenez, segundo a qual o taxista teria levado um tiro na cabeça. Esse detalhe não havia sido detectado pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru divulgado logo depois da morte de Souza.

No documento emitido pelo IML consta que o taxista morreu em decorrência de um trauma craniencefálico. Até então, a causa mais provável para esse trauma eram as pauladas que a vítima sofreu na cabeça e na região lateral esquerda do pescoço.

No entanto, com a prisão de dois suspeitos de terem participado do crime surgiu uma nova possibilidade que não havia sido detectada pelo exame. Segundo os acusados, o taxista foi alvejado na cabeça por um disparo de arma de fogo.

Para comprovar essa declaração, feita pelos dois acusados em depoimentos separados na Delegacia de Agudos, o delegado Gimenez solicitou a exumação do corpo. O serviço foi feito no sábado passado no cemitério de Lençóis Paulista, onde está enterrado o taxista. Participou o médico legista Alberto Briane, do IML de Bauru, acompanhado pelo delegado-adjunto de Agudos, Carlos Ricardo Mariotto. Apesar da colaboração de Mariotto, o responsável pela investigação é o delegado Gimenez, que não pôde comparecer à exumação.

O tiro foi disparado próximo ao ouvido esquerdo da vítima, exatamente no lugar indicado pelos dois suspeitos do crime. O projétil encontrado é de calibre 22, menor do que o normalmente usado pelos criminosos, que é o calibre 38.

Segundo Mariotto, nenhum dos dois acusados assumiu até o momento a autoria do disparo. Entre os suspeitos está um adolescente. Eles foram descobertos após uma tentativa frustrada de assalto a uma residência no último dia 22. Givaldo Alves Martins, 19 anos, foi detido pelos policiais e teria admitido participação na morte do taxista. Poucos dias depois, a polícia localizou também o adolescente que teria auxiliado Martins no crime.

Mariotto disse que quando a informação do tiro foi passada para a polícia, ela foi recebida com uma certa descrença, mas depois o delegado Eron Gimenez decidiu investigar a veracidade dessa declaração.

A comprovação do uso de arma de fogo para matar o taxista não deverá mudar substancialmente a pena dos acusados. Segundo Mariotto, a agravante será pequena se comparada com a pena para latrocínio (roubo seguido de morte), que é considerado crime hediondo, punido com até 30 anos de prisão.

Em depoimento à polícia, os acusados alegaram que mataram o taxista porque durante o assalto ele teria dito que voltaria para Agudos para “pegar” os dois. Souza era morador em Lençóis Paulista, onde possuía um ponto de táxi no terminal rodoviário da cidade.

Na noite do dia 13 de outubro ele foi contratado pelos dois acusados para uma corrida até Agudos. No dia seguinte, o corpo do taxista foi encontrado por policiais militares próximo à rodovia Marechal Rondon. O crime está sendo tratado como latrocínio porque o aparelho de CD do carro foi levado pelos acusados.

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Diagnóstico

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, o taxista Luciano Oliveira de Souza, 25 anos, morreu em decorrência de trauma craniencefálico. Com a descoberta do projétil alojado na cabeça da vítima, muda a versão do que teria provocado o trauma.

Até então acreditava-se que o motivo era o espancamento sofrido por Souza na cabeça. Agora, diante desse fato novo, o médico legista Ivan Segura, diretor do IML, afirma que o que causou o trauma foi realmente o disparo de arma de fogo.

Segundo argumentou, o projétil não foi detectado no primeiro laudo porque seria muito pequeno, calibre 22, e teria se alojado em um osso do crânio.

Como a informação recebida pelo IML era a de que a vítima havia levado pancadas na cabeça e o cérebro apresentava sérios danos, a conclusão foi de trauma causado por espancamento.

Segura informou que durante a análise do corpo o IML utilizou até mesmo o detector de metais e nem assim o projétil foi encontrado, talvez por estar incrustado no osso da vítima. “Foi um caso especial devido ao tamanho do projétil”, justificou.

Após a instalação de um aparelho de Raio-X no IML, prevista para ainda este ano, Segura acredita que casos como estes não deverão mais acontecer. Segundo ele, se o aparelho já estivesse operando, o projétil certamente teria sido detectado.