11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Finados já não é filão para floricultura

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

As floriculturas sepultaram o Dia de Finados. O feriado deixou de impulsionar as vendas do segmento. Não bastasse a concorrência das flores artificiais vendidas nas lojas de R$ 1,99, grande parte dos clientes optou pela facilidade de comprar vasos em frente aos cemitérios ou nos supermercados.

“Eles (os mercados) estão tomando espaço. Têm poder de compra e vendem num preço menor”, diz Eduardo Silva Carvalho, proprietário de uma floricultura que hoje vai funcionar somente até as 12h.

Seus argumentos para fechar as portas mais cedo no feriado têm fundamento. Enquanto as vendas na loja dele não foram tão expressivas, um supermercado de Bauru comercializou até o início da tarde de ontem cinco mil vasos de flor.

A reportagem constatou que por causa da quantidade de unidades ofertadas, o preço desabou.

“Ficou muito complicado (vender nesta época). Já conseguimos baixar o preço, mas ainda não é suficiente (para concorrer com os supermercados). Como é coisa para um dia só, as pessoas não se preocupam tanto com a qualidade. Pagam menos e compram (flores) com qualidade inferior”, comenta Sidirlei Ferreira, proprietário de outra floricultura.

Há mais de 15 anos no mercado, ele diz que a dificuldade de vender nesta época do ano começou há cerca de seis anos. Para driblá-la, além de apostar em datas como Dia das Mães e Dia dos Namorados, ele se especializou na decoração de eventos.

“Finados é um dia normal. Amanhã (hoje) nem vou abrir a loja. Não compensa. Não peguei nada (além do que está acostumado)”, informa Mário Quatrina, também proprietário de floricultura. Por outro lado, num outro supermercado da cidade, o estoque de cerca de 12 mil vasos já havia chegado ao fim às 15h de ontem.

As vendas só não fazem inveja para o atacadista de flores da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) Marcos Silva, que vendeu 14 mil vasos de flores. As comercializações não foram tão significativas assim para duas lojas de R$ 1,99 consultadas pelo JC. Porém, os proprietários dos dois estabelecimentos foram unânimes ao dizer que as vendas aumentaram 50% em relação aos dias normais.

____________________

Crisântemo

O crisântemo desbancou as palmas e tornou-se a vedete do Dia de Finados nos últimos anos. É, disparada, a flor mais vendida nesta época do ano porque o preço é acessível (varia de R$ 3,00 a R$ 5,00) e vem plantada na terra, ou seja, evita a propagação do mosquito da dengue (que gosta de água parada).

Além disso, sua durabilidade é de 15 dias, sendo que a das palmas é em média de três dias. A dica dos produtores para prolongar a beleza do vaso é não molhar folha nem flor.