De olhos voltados para a realidade demográfica reinante, reconhece o governo federal que, no mínimo, quatro requisitos humanos faltam à nossa população. Situam-se na saúde, educação, saneamento básico e energia elétrica, principalmente da periferia, na qual a maioria das pessoas não desfruta da totalidade dos serviços correlatos, vivendo, então, sem objetiva assistência médica, escolas primárias e secundárias, artérias e terrenos higienizados e moradias sem iluminação eletrificada.
Conseqüentemente, não abre mão o governo da obrigação de adotar providências para acudi-las. E, recentemente, determinou aos ministros fazerem imediatamente o que podem classificar de “pacote de cidadania”, destinado a socorrer os setores da sociedade “que vivem no chamado mundo do esquecimento”, exatamente como Lula os classifica, justificando que a iniciativa “não custa caro, restando aos titulares dos ministérios somente construírem o pacote”.
Na verdade, irretorquível, assistência médico-hospitalar, instalação e manutenção de educandários, derrubada de matagais dos terrenos baldios e iluminação de casas e taperas, são providências que os poderes públicos podem, muito bem, providenciar a contento geral, usando as próprias mãos e recursos próprios e, dessa forma, deixar os moradores a salvo de tão sérios problemas urbanos, até porque a chamada cidadania não constitui privilégio de alguns, cabendo ser assumida e exercida plenamente por todos, brasileiros ou não, fazendo jus, então, a serem empacotados segundo a patriótica intenção governamental, desejosa de que a adoção da medida não ultrapasse a casa dos 2005.
Sejam todos, logo, empacotados e lacrados para que a solução dos problemas sociais não venha a se perder de vista e, ao mesmo tempo, não percam os brasileiros o nacionalismo que lhes vem do berço e que lhes concede títulos altamente honoríficos, como os conferidos à pletora de patrícios ilustres que já transitaram nos horizontes da Pátria e herdaram aos de hoje virtudes realmente patrióticas e, conseqüentemente, elogiáveis. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado é jornalista responsável do JC. “As flores que brotaram já murcharam? As plantas que nasceram já morreram? A lei do tempo não prevê a volta, mas outras plantas virão. E sempre haverá flores!”