08 de julho de 2026
Cultura

Cantando a Palavra

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Mestre em fazer das palavras a matéria-prima de sua carreira, Arnaldo Antunes é, o que podemos chamar, de artista multimídia. Além de compositor e cantor, é escritor, poeta visual, designer e artista plástico. Ex-titã, Antunes sempre teve sua trajetória pautada por diversas trabalhos ao mesmo tempo.

Este ano, por exemplo, apresentando a exposição “Centro em Cena”, com poemas visuais e faz excursões pelo País exibindo o vídeo “Nome”. Produziu a trilha sonora do filme “Benjamin”, realizou performances, homenagens literárias, participou de dezenas de discos de outros artistas, e foi uma das atrações da Festa Literária Internacional de Parati (Flip).

Além disso, Antunes ainda tem tempo para divulgar seu novo CD, “Saiba”, lançado há cerca de seis meses. O disco, composto por 14 composições cujas letras são especialmente criativas (marca registrada de Antunes), é a base do show que o artista realiza hoje, a partir das 21h, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc).

O artista, que está de volta à cidade após ter se apresentado no mesmo local há cinco anos, promete ressaltar seu lado criativo nos palcos, seja pelo set list, formado por novas canções e por antigos sucessos da época do Titãs, ou mesmo pela sua própria figura. O visual inovador - cabelos propositadamente mal ajeitados, voz limpa e equalizada e olhar indagador - Antunes possui a irreverência e inovação como ingredientes básicos de sua trajetória.

Desde a época dos Titãs do Ieiê (nome inicial do grupo) de 1982, Antunes inclui literatura, poesia, artes, tecnologia e outros elementos criativos que descobriu em sua música. Seu primeiro álbum solo, por exemplo, “Nome”, é fruto de um vídeo produzido por ele em 1993 - no ano anterior, escreveu “As Coisas”, cuja capa foi ilustrada por um desenho de sua filha Rosa, que na época tinha 3 anos.

A partir daí, deixou o Titãs e iniciou carreira individual. Em 1995, lançou o disco “Ninguém”, e no ano seguinte, gravou “O Silêncio” e compôs a trilha sonora do filme “Mil e Uma”. Em 1998, produziu o CD “Um Som”; em 1999, lançou o álbum “Arnaldo Antunes”; em 2000, “O Corpo”; e em 2001, “O Paradeiro”.

Nascido em 1960, em São Paulo, Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho começou a desenhar e a fazer os primeiros poemas em 1973. Em 1978, começou a cursar letras na Universidade de São Paulo (USP). Antunes é autor de diversas músicas do filme “Bicho de Sete Cabeças”, de André Abujamra, de 2002.

No mesmo ano, lançou o livro de poesia visual “Palavra Desordem”. Em 2003, gravou os “Tribalistas”, álbum de sucesso feito em parceria com Marisa Monte e Carlinhos Brown produziu “ET, Eu, Tu”, seu 11.º livro.

Antunes sobe ao palco acompanhado por Bartolo (guitarra), Chico Salém (violão e guitarra), Curumim (bateria), Henrique Alves (baixo) e Marcelo Éfori (percussão e sampler).

• Serviço

Show de Arnaldo Antunes hoje, às 21h, no ginásio do Sesc.