Há uma década, a viagem até Trancoso era associada a programa de bicho grilo. Não havia luz elétrica, o acesso era precário e as poucas e pioneiras pousadas, muito rústicas.
Hoje, o cenário é outro: Trancoso faz parte do turismo chique e internacional. Surgiram hotéis premiados, como o Club Med, condomínios fechados para os amantes do golfe, lojas de artesanato e restaurantes premiados.
E tudo com um jeito bucólico, diferente, que agrada vips ou normais, por conta do colorido do casario do “Quadrado” - o ponto central da vila - e das luzes que se limitam aos bares e lojinhas deixando a noite como aquelas de lua cheia.
Falando nela, quando o ciclo diário do astro rei finda, Trancoso mostra uma de suas facetas famosas: como não há postes no Quadrado, obrigatoriamente caminha-se pela grande praça central - de chão de areia batida - guiando-se apenas pelas luzes laterais emanadas do casario ou por fogueiras que são acesas em frente aos estabelecimentos comerciais.
Nesse ambiente, prosperaram lojas chiquérrimas e restaurantes idem, numa rusticidade misturada com sofisticação e descontração.
No Quadrado, a noite é uma criança, principalmente para quem se amarra em música e comida de qualidade que pode ser conferida em lugares famosos como o Cacau, Capim Santo, Aki Sushi, Maritaca e Cambuza, que abrem para o jantar.
Se você estiver “podendo”, experimente o camarão flambado na vodka com abacaxi e manjericão, o peixe recheado com camarão e catupiri e creme de espinafre ou o peixe recheado com nozes e manjericão preparados sob a supervisão de Sandra Leite, do Capim Santo, que deixou a arquitetura de lado para viver em Trancoso.
A praça do Quadrado, portanto, é o centro efervescente da vila que tem como habitantes famosos entre outros, Elba Ramalho e a baiana Gal Costa que costuma passear descontraidamente com seus cachorros rottweiller pelo “point”.
Coisa de cinema. Coisa de Trancoso, que se difere de Porto Seguro, que é puro agito, por detalhes como esses.
Rústica sofisticação
A simpática e hoje sofisticada vila teve origem em uma aldeia jesuíta do século 16 e hoje é um dos últimos exemplares ainda conservados das povoações do Brasil nos primeiros anos.
Tudo gira em torno do Quadrado - que na verdade é um retângulo - onde estão as pousadas, a maioria dos restaurantes, bares e sorveterias, galerias de arte, lojas de artesanato, a sede da Fundação Quadrilátero do Descobrimento - uma organização não governamental que idealizou o Museu Aberto do Descobrimento - e a Igreja de São João Batista.
Trancoso fica no alto de um outeiro, de onde se descortina um cenário de praias, falésias, foz de rios e coqueiral, a 26 quilômetros de Porto Seguro. A vila tem o traçado urbano típico dos jesuítas.
A planta é um grande retângulo com a igreja de São João Batista em uma das cabeceiras e casinhas construídas em linha reta, baixas e grudadas uma nas outras, formando uma grande praça: o Quadrado, um sítio histórico dos mais valiosos dentro da Costa do Descobrimento.
A aldeia de São João Batista dos Índios, atual Trancoso, foi fundada com a finalidade de defender a aldeia dos contrabandistas de pau-brasil que chegavam pelo litoral.
Passados mais de 500 anos a vila assiste hoje a chegada de turistas nacionais e estrangeiros em busca de sol, mar, tranqüilidade e muita história.
Trancoso combina elegância e simplicidade, no mais autêntico estilo rústico com sofisticação.