Moradores da Vila Independência, Vila Santista e Jardim Terra Branca terão um compromisso inusitado amanhã: caçar caramujos-gigantes africanos. Os três bairros, onde vivem cerca de 12 mil pessoas em aproximadamente três mil residências, serão os primeiros a participar da campanha de combate ao molusco, que ameaça a saúde pública, a agricultura e o meio ambiente.
A ação, denominada dia “C”, que será realizada das 8h às 14h, é uma parceria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com a administração municipal, que recebe entre 15 e 20 reclamações mensais referentes à presença do caramujo em casas situadas em diversas regiões cidade.
Mas como há indícios de que o problema seja mais acentuado da Vila Independência, Vila Santista e Jardim Terra Branca, os bairros serão os primeiros a participar do plano-piloto que começa amanhã, informa o diretor do Departamento de Ações de Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Carlos Barbieri. Mesmo assim, os moradores de outras áreas que encontrarem moluscos em casa também poderão se desfazer deles durante a semana.
Para isso, é preciso seguir os procedimentos indicados pelo Ibama para evitar contato com os caramujos e levá-los aos postos de coleta, onde serão instalados tambores com tampa, por 15 dias. Neste período, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) fará a coleta diária dos caramujos.
“Passados os 15 dias faremos uma pausa para avaliarmos a eficácia da ação, que será direcionada para outros bairros da cidade”, diz Barbieiri. Ele integrará um grupo de 60 servidores da administração municipal encarregado de visitar amanhã, praças, áreas verdes e terrenos baldios para procurar moluscos nos três bairros por onde o projeto será iniciado.
Experiência
Trabalho semelhante foi realizado na cidade de Parmanirim, no Rio Grande do Norte, onde o plano de controle e monitoramento foi iniciado em abril deste ano. De lá para cá, dois dias “Cs” já foram realizados na cidade inteira, onde foram recolhidos quase seis toneladas de caramujo.
“Recebíamos uma média de 15 a 20 ligações por dia. Não dá para erradicar, mas é possível controlar”, diz o coordenador da Vigilância de Ambiental de Parmanirim, Henrique Eduardo Costa.
O Ibama confirma a impossibilidade técnica de extinguir uma espécie invasora. Mas o objetivo é reduzir drasticamente a população de moluscos em cidades como Bauru, a primeira do Estado de São Paulo a participar da ação do Ibama. O município iniciou o plano-piloto por apresentar alto índice de infestação e por mostrar-se receptiva ao programa, informa a analista ambiental do órgão, Ana Carina Ometto.
Outras cidades como Caraguatatuba e São Sebastião também devem aderir à campanha.
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História
Originário do leste e do nordeste da África, acredita-se que o caramujo-gigante africano tenha sido introduzido no Brasil por volta de 1988. Na época, criadores paranaenses de escargot verdadeiros (Helix aspersa) acreditavam ter encontrado uma alternativa viável para seus negócios.
Eles enxergavam no caramujo-gigante africano a possibilidade de obter mais carne que o escargot porque o novo molusco se reproduz facilmente e é maior. Mas como os consumidores não apreciaram o sabor, a textura e o aspecto da carne, a alternativa virou uma dor de cabeça.
Para livrar-se dos moluscos, os criadores os soltaram em rios, matas e terrenos baldios. Por ser um animal bastante adaptável às adversidades do ambiente, ele não encontrou dificuldade para crescer e se multiplicar em território brasileiro, por onde se alastrou em quase todos os Estados.
O problema não é uma exclusividade nacional. Os moluscos também provocaram danos nos Estados Unidos e na Austrália, informa o Ibama.