10 de julho de 2026
Bairros

Moluscos serão levados ao aterro sanitário

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os moluscos descartados nos tambores dos postos de coleta serão encaminhados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ao aterro sanitário, que fica próximo às penitenciárias 1 e 2. No local, eles serão despejados numa vala séptica com o fundo aterrado e posteriormente serão macerados por um rolo compressor. Depois, os caramujo serão polvilhados com cal virgem e enterrados numa profundidade de 1,5 metro.

“Fizemos uma parceria com a Universidade do Sagrado Coração (USC), que vai desenvolver uma pesquisa. Quando morrem, os caramujos liberam uma toxina. A universidade quer saber como essa toxina se comporta no solo”, diz o diretor do Departamento de Ações de Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Carlos Barbieri.

A erradicação dos caramujos é cercada de cuidados porque a espécie sobrevive e se reproduz também no lixo. O caramujo-gigante africano, cuja média de vida é de três anos, coloca até 600 ovos por postura. Por ano, ele pode fazer até 15 posturas, embora a média seja quatro, informa a analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ana Carina Ometto.

“A pulverização não é recomendável porque ela pode extinguir outras espécie nativas. Perderíamos biodiversidade. A população tem de ser orientada a coletar o caramujo correto”, diz Ometto.

De acordo com ela, o caramujo-gigante africano compete com outras espécies da fauna brasileira, fazendo com que elas interrompam suas atividades e morram em 15 dias. Além disso, ele é um hospedeiro intermediário de dois vermes que podem causar doenças.

Conforme o JC já veiculou, um deles pode provocar fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino. O outro é causador de um tipo de meningite, que ocorre quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente. Além de causar a inflamação das meninges, pode levar à cegueira, paralisia e, em casos extremos, à morte.

“Na plantação, o caramujo pode destruir diversas espécies vegetais, causando danos econômicos. Ele tem preferência por frutas, verduras e legumes e devora brotos e talos novos”, acrescenta Ometto.